segunda-feira, 16 de novembro de 2009

VICTOR HUGO E OS MISERÁVEIS NO CINEMA

:
NOS 200 ANOS DO NASCIMENTO DE VICTOR HUGO
VITOR HUGO: OS CLAROS-ESCUROS DE UMA BIOGRAFIA
"Exprimir a humanidade numa obra cíclica; pintá-la sob todos os seus aspectos, os quais se resumem num único e imenso movimento de ascensão para a luz: fazer aparecer numa espécie de espelho sombrio e claro essa grande figura una e múltipla, fatal e sagrada: o homem."
Esta "declaração de intenções" da Légende des siècles poderia resumir toda a obra deste autor, nascido há 200 anos. Vista na sua globalidade, ela parece hoje indicar-nos que Vítor Hugo nunca deixou de tentar aprofundar a questão do homem e da humanidade, na grandeza e miséria. E, fazendo-o, Vítor Hugo naturalmente estava a falar de si mesmo, das suas contradições e paradoxos. Mas sabia igualmente que o seu século, crente no progresso das idéias e das técnicas, era uma época em que o ser humano era posto à prova, diante dos seus limites. Por isso muitos souberam reconhecer em Vítor Hugo a figura tutelar de uma era - da França, que se desejava centro do mundo, da Europa que aparecia triunfante, e do Mundo que parecia então cada vez mais unido na busca de ideais comuns.
Vítor Hugo, figura admirável, exemplar, para muitos um verdadeiro génio, para outros uma herança demasiado pesada e excessiva: compararam-no ao Himalaia; chamaram-lhe "oceano" de versos; aos 26 anos tinha dez volumes de obras completas; três anos depois, concebia o projecto de 29 dramas; as suas obres completas totalizam cerca de doze mil páginas e abrangem todos os géneros literários da sua época; além disso, deixou milhares de desenhos, imagens alucinantes, muitas delas traçadas contra a pena de morte; segundo um dos seus biógrafos, seriam necessários 20 anos, e 14 horas por dia, para ler todas as obras que lhe foram consagradas e que estão depositadas na Biblioteca Nacional de Paris.
Foi um homem de paixões - pelas ideias, pelos grandes combates, pela glória, literária e política, pelas mulheres. A Juliette Drouet, uma paixão que durou 50 anos, escreveu um dia: "Tenho dois dias de nascimento, ambos em Fevereiro. Nasci da primeira vez nos braços da minha mãe, em 28 de Fevereiro de 1802, e da segunda vez para o amor, a 16 de Fevereiro de 1833, nos teus braços. O primeiro nascimento deu-me a luz, o segundo deu-me a chama." Tanto em vida como ao longo deste dois séculos, foi tão amado como detestado. Jean Cocteau, por exemplo, costumava dizer que "Vítor Hugo era um louco que julgava ser Vítor Hugo". Mas quando perguntaram a André Gide quem era o maior poeta francês, ele respondeu: "Vítor Hugo, ai de mim!" E Flaubert dizia: "Há pessoas perante as quais nos devemos inclinar e dizer-lhes, Depois de si, senhor. Vítor Hugo é um deles."
Mas hoje, quem o lê e que parte da sua imensa obra sobrevive realmente? Talvez se leia apenas Os Miseráveis e se conheça a história de Notre-Dame de Paris pelo cinema - os excessos verbais do romântico Hugo constituem uma digestão difícil para os leitores que são sobretudo consumidores de TV. Quanto ao resto de uma obra gigantesca, essa ficou apenas para os estudiosos da literatura, em França como noutros países.
Apesar de tudo, as comemorações do duplo centenário envolvem exposições, espectáculos, conferências, a publicação de numerosas biografias, sem esquecer o indispensável merchandising, celebrando a grande figura de republicano, o homem inspirado, o "profeta" de uma Europa unida e de uma desejada e futura paz universal, o humanista que se bateu contra a exploração dos pobres e contra a pena de morte, contra os tiranos e os privilegiados, o orador de espantosos discursos radicais.
Vítor Hugo foi tudo isso e também o seu contrário - o celebrante do progresso científico foi igualmente frequentador de sessões de espiritismo; o "pai da república" assistiu em Reims à sagração de Carlos X e desejou ser conselheiro de príncipe, sob Luis Filipe; foi visconde e par de França, deputado e senador, liberal e poeta revolucionário; sofreu com o exílio e sonhou com as honrarias do poder e do público; foi legitimista, liberal, orleanista, bonapartista e depois republicano; foi um homem rico mas avarento; um crente fervoroso em Deus mas um feroz anticlerical, que recusou as orações da Igreja mesmo na hora da morte.
Como ficar imune aos apelos do destino e aos acontecimentos de uma época tão perturbada nos seus acontecimentos históricos? Os primeiros anos de vida do pequeno Vítor sofreram as andanças do pai, oficial do exército, de guarnição em guarnição. Os sabres, os uniformes, o heroísmo das batalhas, que ouviu contar, marcaram para sempre a memória do futuro poeta e romancista. Mas também as reviravoltas da fortuna: ontem a glória, hoje a pobreza e o exílio. Vítor Hugo viu a sua vida, desde o seu início, ligada ao curso da História: antes de completar 20 anos conheceu três regimes, viu os cossacos nas margens do Sena e a França em declínio. Um cenário que favorecia as maiores paixões românticas. Na poesia, no teatro, no romance, naturalmente. E ele tinha talento bastante para todas essas expressões, sempre dramáticas. Drama, também presente na vida privada: Adèle, a prima, com quem casa aos 20 anos, e com quem vive um amor tranquilo, cede ao assédio de Sainte-Beuve; a filha Léopoldine morre afogada aos 15 anos (e todos os anos, no aniversário da morte, o pai Hugo escreve-lhe um poema); Adèle, a segunda filha, mergulha na depressão; Charles, o primeiro filho, morre em 1871; François-Victor, o segundo, em 1873...
De todas estas dores, mas igualmente das conquistas e dos sonhos concretizados ou por realizar, ele construiu a sua obra. No seu testamento, em que doava 50 mil francos aos pobres, deixou registado que recusava "a oração de todas as igrejas" mas pedia "uma oração a todas as almas". "Creio em Deus. Vítor Hugo." As últimas palavras foram para a neta: "Adeus, Jeanne." Antes de depositarem o seu corpo no Panteão Nacional, ergueram-lhe um majestoso catafalco sob o Arco do Triunfo. Aí acorreu um, talvez dois milhões de franceses, não apenas os parisienses. Vítor Hugo tornava-se ele próprio uma legenda do século XIX - para os séculos seguintes.
ANTÓNIO CARVALHO, In “Diário de Notícias”, no dia 24 de Fevereiro de 2002
VIDA E OBRA DE VICTOR HUGO: CRONOLOGIA

1802. 26 de Fevereiro: em Besançon, França, nasce Victor Marie, terceiro filho de Léopold e Sophie Hugo.

1819. Obtém o Lírio de Ouro nos jogos florais de Toulouse.

1821. Morte da mãe.

1822-24. Publicação das Odes et poésies diverses. Casa-se com Adèle Foucher. Han d'Islande, Nouvelles odes. Nasce a filha Léopoldine.

1826. Odes et ballades. Nasce o filho Charles.

1827. L'Ode à la colonne de la place Vendöme e a peça Cromwell, cujo prefácio constitui um manifesto do novo romantismo.

1828. Morte do pai. Nasce o filho François-Victor.

1829. Les Orientales, Le Dernier jour d'un condamné e Marion de Lorme.

1830. Polémica entre clássicos e românticos a propósito da peça Hernani. Nasce filha Adèle.

1831. Notre-Dame de Paris e Les Feuilles d'automne.

1832-41. Le Roi s'amuse, Lucrèce Borgia e Marie Tudor. Início da ligação com a actriz Juliette Drouet (durará 50 anos). Claude Gueux, Les Chants du crépuscule, Les Voix intérieures, Les Rayons et les nombres, Le Retour de l'Empereur. Eleito para a Academia Francesa.

1843. Morre a filha Léopoldine.

1845-50. Nomeado par de França, reclama o fim do exílio dos Bonaparte.Eleito deputado em Paris, na lista dos conservadores, deputado à Assembleia Legislativa e aproximação à esquerda. Discursa sobre o tema "A miséria". Preside ao Congresso Internacional da Paz.Discursos sobre a liberdade de ensino, liberdade de imprensa e sufrágio universal. Alinha na esquerda da Assembleia. Intensa produção de desenhos.

1851-70. Visita a população miserável de Lille. Discursa contra a revisão da Constituição. Os dois filhos são presos por delito de imprensa. Tenta organizar a resistênca ao golpe de Estado de Luís Napoleão Bonaparte; exila-se sucessivamente em Bruxelas, Jersey e Guernesey. Panfleto: Napoléon le Petit.Escritos políticos e Châtiments. Escreve Les Misérables, publicado em 1862. Início das sessões de espiritismo em Jersey. Recusa amnistia de Napoleão III. William Shakespeare, Les Chansons des rues e de bois, Les Travailleurs de la mer. Escreve Paris, introdução ao Paris-Guide da Exposição Universal. La Voix de Guernesey. Adèle morre em Bruxelas. Os filhos fundam Le Rappel, jornal da oposição. Romance: L'Homme qui rit. Com a Proclamação da República, regressa triunfalmente a França.

1871-82. Eleito deputado por Paris. Demite-se da Assembleia em Bordéus. Morte brutal do filho Charles. Reside em Bruxelas. Expulso por ter dado asilo a homens da Comuna, passa para o Luxemburgo e regressa depois a Paris. A filha Adèle é internada em Saint-Mandée. L'Année terrible.Morte do filho François-Victor. Quatrevingt-treize.Eleito senadorde Paris. Bate-se pela amnistia dos homens da Comuna. L'Art d'être grand-père e Histoire d'un crime. Le Pape. Congestão cerebral. La Pitié suprême, Réligions et réligion, L'Âne. Homenagem popular nos 80 anos. Les Quatre vents de l'esprit. Reeleito senador. Torquemada.

1885. 22 de Maio: Morte de Vítor Hugo. Funerais nacionais a 1 de Junho, acompanhados por uma imensa multidão de franceses.

ANTÓNIO CARVALHO, in “Diário de Notícias”, no dia 24 de Fevereiro de 2002
OBRAS DE VICTOR HUGO

1819 - LES DESTINS DE LA VENDEE, ODE
1820 - LE GENIE.
- LA MORT DU DUC DE BERRY.
- LA NAISSANCE DU DUC DE BORDEAUX
1821 - ODES
1822 - BONAPARTE.
- MOÏSE SUR LE NIL
1823 - HAN D' ISLANDE, 4 VOL.
1825 - LE SACRE DE CHARLES X
1826 - BUG-JARGAL
1826 - ODES ET BALLADES, 2 VOL.
1827 - À LA COLONNE DE LA PLACE VENDOME
1827 - CROMWELL
1829 - HERNANI
1829 - LE DERNIER JOUR D'UN CONDAMNE.
- CLAUDE GUEUX
1829 - LES ORIENTALES
1830 - L'AUMONE
1831 - LES FEUILLES D'AUTOMNE
1831 - MARION DELORME
1831 - NOTRE-DAME DE PARIS
1832 - LE ROI S'AMUSE
1832 - LUCRECE BORGIA.
- MARIE TUDOR
1834 - CLAUDE GUEUX
1834 - ÉTUDE SUR MIRABEAU.
- LITTERATURE ET PHILOSOPHIE MELEES, 2 VOL.
1835 - ANGELO
1835 - LES CHANTS DU CREPUSCULE
1836 - LA ESMERALDA
1837 - LES VOIX INTERIEURES
1838 - RUY-BLAS
1840 - LES RAYONS ET LES OMBRES.
- LE RETOUR DE L'EMPEREUR
1842 - LE RHIN, 2 VOL.
1843 - LES BURGRAVES
1851 - TREIZE DISCOURS
1852 - NAPOLEON LE PETIT
1853 - LES CHATIMENTS
1853 - ŒUVRES ORATOIRES ET DISCOURS DE L'EXIL, BRUXELLES
1855 - LE BEAU PECOPIN ET LA BELLE BAULDOUR
1856 - LES CONTEMPLATIONS, 2 VOL.
1859 - LA LEGENDE DES SIECLES, 2 VOL.
1861 - JOHN BROWN
1862 - LES ENFANTS
1862 - LES MISERABLES, 10 VOL.
1864 - WILLIAM SHAKESPEARE
1865 - LA CHANSON DES RUES ET DES BOIS
1866 - LES TRAVAILLEURS DE LA MER
1867 - PARIS
1868 - LE CHRIST DU VATICAN
1869 - L'HOMME QUI RIT, 2 VOL.
1872 - L'ANNEE TERRIBLE
1873 - LA LIBERATION DU TERRITOIRE
1874 - MES FILS
1874 - QUATRE-VING-TREIZE, 3 VOL.
1875 - ACTES ET PAROLES
1877 - L'ART D'ETRE GRAND PERE.
- LE LIVRE DES ENFANTS
1877 - L'EXPIATION. HISTOIRE D'UN CRIME
1878 - DISCOURS POUR VOLTAIRE.
- LE DOMAINE PUBLIC PAYANT
1878 - LE PAPE
1879 - LA PITIE SUPREME
1880 - L'ANE. RELIGION ET RELIGIONS
1881 - LES QUATRE VENTS DE L'ESPRIT
1882 - TORQUEMADA
1883 - L'ARCHIPEL DE LA MANCHE


REALISTAS E ANIMADOS


Em boa verdade, não creio que exista um género "Vítor Hugo" no cinema. A imponência do escritor não se traduz num corpo de títulos minimamente coerente, nem sequer numa imagem de marca tão forte ou tão singularmente cinematográfica como podem ser, por exemplo, Tarzan, ou James Bond. Há uma razão, óbvia e paradoxal, para que tal aconteça. De facto, os livros de Vítor Hugo são dos mais frequentemente adaptados ao cinema, sendo possível, desde o período mudo à actualidade, encontrar mais de sete dezenas de produções. Este número aproxima-se da centena, se incluirmos as adaptações televisivas, a mais recente das quais, a minissérie francesa Les Misérables (2000), dirigida por Josée Dayan, com Gérard Depardieu no papel de Jean Valjean, pode servir de bom (mau) exemplo do modo como as maiores mediocridades audiovisuais tentam caucionar-se através dos clássicos da literatura.
Do realismo à fantasia, a diversidade justifica que digamos que, em última instância, o cinema passou a inspirar-se menos na obra de Vítor Hugo e a servir mais como veículo de um imaginário que essa mesma obra enquadra.
E bastará citar o caso exemplar da adaptação de O Corcunda de Notre-Dame, lançada pelos Estúdios Disney, em 1996. Sob direcção de Gary Trousdale e Kirk Wise (os mesmos que, cinco anos antes, tinham assinado o emblemático A Bela e o Monstro), o filme foi muitas vezes avaliado a partir das suas muitas infidelidades ao "espírito" e à "letra" da obra original. Seria, talvez, inevitável. Em todo o caso, a verdadeira identidade de um espectáculo como este está muito para além de qualquer "transcrição" literária, nascendo antes de um cruzamento festivo de referências que vão desde a tradição do desenho animado até ao musical da Broadway e do West End londrino (com marcas inevitáveis de Les Misérables, de Alain Boublil e Claude-Michel Schonberg). Recriado por obra e graça do desenho animado, não deixa de ser curioso recordar que O Corcunda de Notre-Dame é, justamente, uma das obras de Vítor Hugo que deram origem a algumas das mais célebres versões cinematográficas. E desde os tempos mais remotos: a lendária Theda Bara foi Esmeralda em The Darling of Paris, um título de 1916. Três dos mais intensos, e também mais populares, Quasímodos pertenceram a Lon Chaney (com direcção de Wallace Worsley, 1923), Charles Laughton (William Dieterle, 1939) e Anthony Quinn (Jean Delannoy, 1956): os dois primeiros, provenientes de Hollywood; o terceiro, uma co-produção de França e Itália.
Entretanto, a personagem de Jean Valjean tem servido de veículo a alguns dos mais conhecidos actores franceses de todas as épocas, desde Harry Baur (Raymon Bernard, 1934) a Jean-Paul Belmondo (Claude Lelouch, 1994, uma penosa "modernização" da intriga), passando por Jean Gabin (Jean-Paul Le Chanois, 1958) e Lino Ventura (Robert Hossein, 1982). Provavelmente, a mais notável versão de Les Misérables continua a ser a americana de 1935, com Fredric March e Charles Laughton. Trata-se de uma realização de Richard Boleslawski, cineasta americano de origem polaca com uma formação teatral muito ligada a Stanislavski. Entre outras notáveis contribuições, esse é um filme fotografado por Gregg Toland, o mesmo que, seis anos mais tarde, faria O Mundo a Seus Pés, com Orson Welles. Et pour cause...
JOÃO LOPES, in “Diário de Notícias”, no dia 24 de Fevereiro de 2002
VICTOR HUGO NO CINEMA
Perante a riqueza e a variedade da obra de Victor Hugo é fácil imaginar como o cinema se lançou numa luxuriante e fecunda série de adaptações. Ainda mais se tivermos em conta que um romance como Os Miseráveis detém sem dúvida, depois de Os três Mosqueteiros, e o Conde de Monte Cristo, o recorde de adaptações ao cinema. Mas isso não é tudo. É apenas a ponta do iceberg!
Comecemos por alguns números : é fiável ... Contemos desde 1905 e até 1988 qualquer coisa como a módica quantia de umas cinquenta adaptações, entre romances e teatro (mas regressaremos a este último). Podemos continuar até 1999, se acrescentarmos uma quinzena de telefilmes. E mais uma dúzia se considerarmos a dupla Hugo + Verdi (Hernani, Rigoletto, ou seja, Le Roi s’amuse). E, se quisermos ser mais papistas do que o Papa, podemos ainda responsabilizar o romancista pela dúzia de filmes inspirados em Lucrécia Borgia. Em resumo, a pouca distância ficaremos da centena…
Continuemos com um pequeno circuito geográfico : a França é detentora do recorde de adaptações (19), à frente dos Estados Unidos (13). A uma boa distância, a Itália (4), sem contar com os filmes adaptados de Verdi), a Inglaterra (1) e a Rússia (1). Surpresa: o Japão (2), a Índia (1), o Egipto (1) e o México (1) também se interessaram por Hugo.
Continuando impelidos por um gosto perverso pelos números, poderemos verificar que o cinema mudo, com cerca de vinte adaptações, está praticamente empatado com o sonoro (menos de trinta, não incluindo a televisão).
Mas não nos deixemos iludir pelos números : neste conjunto, Os Miseráveis, com cerca de vinte adaptações (mais três telefilmes) fica com a fatia maior, muito à frente de Notre Dame de Paris (dez adaptações e um telefilme).
Os restantes romances, em conjunto, não chegam a atingir este último número : três adaptações de O Homem que ri, duas de Travailleurs de la mer e uma de Quatre-Vingt-Treize.
Relativamente ao teatro, a coisa é mais complexa : temos de distinguir entre a peça filmada (o que é o caso da maioria das adaptações televisivas) e um filme que é mais do que uma simples imitação. Nem sempre é fácil e o resultado toca frequentemente o arbitrário. Ruy Blas tem a dianteira com cinco adaptações, seguido de Marion de Lorme (2), Hernani (1), Marie Tudor (1). Recusamo-nos a fazer a distinção entre Le Roi s’amuse e Rigoletto (apesar das sete adaptações da ópera de Verdi). Da mesma forma, não atribuiremos aqui à autoria de Hugo a dúzia de filmes (sem contar com alguns eróticos) inspirados nas aventuras da bela e cruel Lucrecia Bórgia.
Tudo começa com duas mulheres ; em 1905, Alice Guy filma Esmeralda com um título homónimo. Continuamos, dois anos mais tarde, com O Caminhante (ou O Vagabundo), uma produção da Pathé onde se vê Jean Valjean roubar Monsenhor Myriel. A partir de 1909, os Estados Unidos aceitam o desafio e James Stuart Blacktton realiza Ruy Blas, seguido, em 1910, da primeira versão americana de Os Miseráveis tendo por título O Condenado das Galés. Os anos 1910 serão, em França, os anos Capellani. O profícuo cineasta (1870-1931), como bom adorador de Hugo que parece ser, realiza uns atrás dos outros: Hernani (1910), que se mantém até hoje a única adaptação, Notre Dame de Paris (1911) e, imaginem só, no ano de 1912 : Les Misérables, Manon de Lorme, Marie Tudor. Atira-se com denodo a Quatre-Vingt-Treize em 1914, filme maldito, proibido pela censura durante a guerra, só visível em 1921 e co-assinado por André Antoine que tinha realizado em 1918 a única versão “clássica” de Travailleurs de la mer.
Entre o corcunda de Notre Dame e o condenado às galés dos esgotos, entre a cigana perseguida e a criança mártir, a cronologia impõe-nos, portanto que comecemos pelo romance medieval. Cada realizador hesita entre Esmeralda e Quasimodo. Gordon Edwards dá à primeira, em 1916, os traços de Theda Bara, a primeira "vamp" do cinema. William Dieterle, em 1939, os da esplendorosa Maureen O'Hara e Jean Delannoy as formas generosas de Gina Lollobrigida, em 1956. Lon Chaney (com Wallace Worsley, em 1923), Anthony Quinn (com Jean Delannoy) foram Quasimodo como Hugo teria gostado, entre o grotesco e o sublime.
E que dizer dos Jean Valjean: um actor de western (Frank Lloyd, 1918), Gabriel Gabrio, um "mau" do cinema francês dos anos 1930 (Henri Fescourt, 1925), Frédéric March, habitual em papeis heróicos (Richard Bleslawski, 1935), Gino Cervi, um lenhador transalpino (Riccardo Freda, 1947). E depois o trio francês, Harry Baur (Raymond Bernard, 1934), Jean Gabin (Jean-Paul Le Chanois, 1958), Lino Ventura (Robert Hossein, 1982).
No capítulo das curiosidades, uma adaptação russa do episódio das barricadas (Gavroche, T. Loukachevitch, 1937), uma acção transposta para o Egipto nos anos 1940 (Kamal Selim, 1944), o grande actor japonês Sessue Hayakawa incarna um Valjean em quimono (D. Ito et M. Makino, 1949), sem esquecer um improvável Belmondo numa versão não menos improvável modernizada de Claude Lelouch (1994).
Quanto ao resto, o balanço é fraco, entre filmes mudos impossíveis de serem vistos e o teatro filmado. No entanto, podemos destacar Ruy Blas de Pierre Billon (1947), numa adaptação de Jean Cocteau. Belo filme de capa e espada com um Jean Marais de falas empolgantes e espada desembaínhada, " verme apaixonado" pela estrela Danielle Darrieux. Alguns poderão preferir a dupla irresistível formada por De Funès e Montand em A Mania das Grandezas, um pastiche magnífico de Gérard Oury (1971). Não podemos, no entanto, esquecer – embora na verdade esteja um pouco longe de Hugo – o Don César de Bazan de Riccardo Freda (1942).
Será que vamos terminar com a televisão? Os maiores tocaram levemente em Hugo: Claude Barma (em 1965 e em 1972) com Ruy Blas, Raymond Rouleau (em 1976) com Hernani, Marcel Bluwal (em 1972) com Les Misérables. E que dizer da Lucrécia Borgia d'Abel Gance (1966) se não que ela se assemelha muito à sua Lucrécia Borgia de 1935 : ou seja, a grande distância de Hugo?
É claro que podemos levar a coisa aos extremos se referirmos Disney (O Corcunda de Notre Dame, 1996) ou rirmos violentamente com Patrick Timsit (Quasimodo d'El Paris, 1998). Mas se for para brincar, então escolhamos Rigoletto, na versão Carmine Gallone (1946) com um sumptuoso Tito Gobbi. E se for para chorar, debrucemo-nos sobre o último Hugo apresentado em écran, mas um écran bem pequeno : a lamentável adaptação de Os Miseráveis feita por José Dayan. Estamos no nosso direito de preferir à teleasta bulímica de Hugo e de Dumas a pioneira do cinema que foi, em 1905, Alice Guy.
CLAUDE AZIZA, por ocasião do “Ciclo Victor Hugo” em Janeiro 2002.
Claude Aziza é historiador, escritor, professor universitário, colaborador do Canal+ e da Enciclopédia Larousse e ainda responsável do Departamento Mediação Cultural da Universidade Sorbonne Nouvelle. Tendo publicado crónicas em diversos jornais como o Le Monde.
VICTOR HUGO NO CINEMA

FILMOGRAFIA



Obras audiovisuais, cinema e vídeo, retiradas de títulos de Victor Hugo

1905 – ESMERALDA (NOTRE-DAME DE PARIS)
Realização: Alice Guy (França)
Intérpretes: Denise Becker (Esmeralda), Henry Vorins (Quasimodo), etc.
10 minutos.
1907 - SUR LA BARRICADE (Les Misérables) (FR, 1907)
Realização: atribuida a Alice Guy (França)
4 minutos.
1909 – THE DUKE'S JESTER OR A FOOL'S REVENGE (LE ROI S'AMUSE)
Realização: J. Stuart Blackton (EUA)
Intérpretes: Maurice Costello, William Humphrey, etc.
1909 – A FOOL'S REVENGE (LE ROI S'AMUSE)
Realização: D.W. Griffith (EUA)
Intérpretes: Linda Arvidson, John Compson, Florence Lawrence, Marion Leonard, Fred Mace, Owen Moore, Vivien Prescott, Mack Sennett, etc.
11 minutos.
1909 – LES MISERABLES
Realização: J. Stuart Blackton (EUA)
Intérpretes: William V. Ranous (Javert), Maurice Costello (Jean Valjean), Hazel Neason, etc.
1909 – RUY BLAS
Realização: J. Stuart Blackton (EUA)
Intérpretes: William Humphrey, Maurice Costello, Julia Arthur, John G. Adolfi, etc.
1911 - NOTRE-DAME DE PARIS
Realização: Albert Capellani (França)
Intérpretes: Henry Krauss (Quasimodo), Paul Capellani, Claude Garry (Frollo), René Alexandre (Phoebus), Stacia Napierkowska (Esmeralda)
45 minutos.
1912 – LES MISERABLES
Realização: Albert Capellani (França)
Intérpretes: Henry Krauss, Henri Étiévant, Mistinguett, Maria Ventura, Jean Angelo, Léon Belières, Léon Bernard, Maria Fromet, Gabriel de Gravone, etc.
378 minutos (1ª e 2ª época: 88’ x 2); (3ª e 4ª época:101’ x 2)
1915 – DON CAESAR DE BAZAN (RUY BLAS)
Realização: Robert G. Vignola (EUA)
Intérpretes: Lawson Butt (Don Caesar de Bazan), Alice Hollister (Maritana), Helen Lindroth, John Mackin, Harry F. Millarde, Stockton Quincy, James B. Ross, Mary Ross, Robert Walker, etc.
1917 – THE DARLING OF PARIS
Realização: J. Gordon Edwards (EUA)
Intérpretes: Theda Bara (Esmaralda), Glen White (Quasimodo), Walter Law (Claude Frallo), Herbert Heyes (Captain Phoebus), Carey Lee (Paquette), Alice Gale, John Webb Dillon, Louis Dean, etc.
1917 – LES MISERABLES
Realização: Frank Lloyd (EUA)
Intérpretes: William Farnum (Jean Valjean), Hardee Kirkland (Javert), Gretchen Hartman (Fantine), George Moss, Kittens Reichert, Jewel Carmen, Harry Springler, Dorothy Bernard, Anthony Phillips, etc.
1918 – DER KÖNIG AMÜSIERT SICH (LE ROI S'AMUSE)
Realização: Jacob Fleck, Luise Fleck (Austria)
Intérpretes: Liane Haid (Rigolettos Tochter), Hermann Benke (Rigoletto),
Karl Ehmann, Wilhelm Klitsch, Eduard Sekler, etc.
1918 – LES TRAVAILLEURS DE LA MER
Realização: André Antoine, Léonard Antoine (França)
Intérpretes: Andrée Brabant, Philippe Garnier, Marc Gérard, Romuald Joubé, Armand Tallier, etc.
116 minutos (restaurada 95 minutos).
1918 - MARION DELORME
Realização: Henry Krauss (França)
Intérpretes: Jean Worms (Didier), Armand Tallier (Saverny), Pierre Renoir (Louis XIII), Alcover (Laffemas), Nelly Cormon (Marion), Berthe Jalabert.
83 minutos.
1919 – THE TOILERS (LES TRAVAILLEURS DE LA MER)
Realização: Tom Watts (Inglaterra)
Intérpretes: Manora Thew (Rose), George Dewhurst (Jack), Gwynne Herbert, Ronald Colman, Eric Barker, John Corrie, Mollie Terraine, etc.
1921 – QUATREVINGT-TREIZE
Realização: Albert Capellani, André Antoine, Léonard Antoine (França, 1914-1921)
Intérpretes: Henry Krauss, Paul Capellani, Max Charlier, Philippe Garnier, etc.
170 minutos.
1922 – ESMERALDA (THE HUNCHBACK OF NOTRE DAME)
Realização: Edwin J. Collins (Inglaterra)
Intérpretes: Sybil Thorndike (Esmeralda), Booth Conway (Quasimodo), Arthur Kingsley (Phoebus), Annesley Healy, etc.
1922 – LES MISERABLES
(Inglaterra)
Intérpretes: Lyn Harding (Jean Valjean), etc.
1922 – TENSE MOMENTS FROM GREAT PLAYS (THE HUNCHBACK OF NOTRE DAME) (excerto "ESMERALDA")
Realização: Edwin J. Collins, H.B. Parkinson, etc. (Inglaterra)
Intérpretes: Booth Conway (Gloucester/Quasimodo), Sybil Thorndike (Esmeralda) (episódio "Esmeralda")
1922 – TENSE MOMENTS WITH GREAT AUTHORS (LES MISERABLES) (excerto "LES MISERABLES")
Realização: H.B. Parkinson, W. Courtney Rowden, etc. (Inglaterra)
Intérpretes: Lyn Harding (Jean Valjean) (episódio "Les Miserables")
1923 – THE HUNCHBACK OF NOTRE DAME (NOTRE DAME DE PARIS)
Realização: Wallace Worsley (EUA)
Intérpretes: Lon Chaney (Quasimodo), Patsy Ruth Miller (Esmeralda), Norman Kerry, Kate Lester, Winifred Bryson, Nigel De Brulier, Brandon Hurst, Ernest Torrence, Tully Marshall, etc.
93 minutos.
1923 – TOILERS OF THE SEA (LES TRAVAILLEURS DE LA MER)
Realização: Roy William Neill (EUA, Itália)
Intérpretes: Lucy Fox (Hélène), Holmes Herbert (Sandro), Horace Tesseron (Capitão Jean), Dell Cawley (Capitão André), Lucius Henderson, etc.
1925 – LES MISERABLES
Realização: Henri Fescourt (França)
Intérpretes: Gabriel Gabrio (Jean Valjean), Paul Jorge (Monsigneur Myriel), Sandra Milovanoff (Fantine/Cosette), Andrée Rolane (Cosette), Jean Toulout (Javert), François Rozet (Marius), Paul Guidé, Charles Badiole, etc.
495 minutos.
1928 – THE MAN WHO LAUGHS (L'HOMME QUI RIT)
Realização: Paul Leni (EUA)
Intérpretes: Conrad Veidt (Gwynplaine), Mary Philbin (Dea), Olga Baclanova (Josiana), Josephine Crowell (Rainha Anne), George Siegmann (Dr. Hardquanonne), Brandon Hurst, Sam De Grasse, Stuart Holmes, etc.
110 minutos.
1934 – LES MISERABLES
Realização: Raymond Bernard (França)
Intérpretes: Harry Baur (Jean Valjean/M. Madeleine/Champmathieu/M. Fauchelevent), Charles Vanel (Javert), Paul Azaïs (Grantaire), Max Dearly (M. Gillenormand), Charles Dullin (Thenardier), Émile Genevois (Gavroche), Henry Krauss, Georges Mauloy, Lucien Nat, Jean Servais, etc.
305 minutos.
1935 – LES MISERABLES
Realização: Richard Boleslawski (EUA)
Intérpretes: Fredric March (Jean Valjean/Champmathieu), Charles Laughton (Inspector Javert), Rochelle Hudson (Cosette), Florence Eldridge (Fantine), John Beal, Frances Drake, Ferdinand Gottschalk, Jane Kerr, Marilyn Knowlden, Cedric Hardwicke, etc.
108 minutos.
1936 - LUCRÈCE BORGIA
Realização: Abel Gance (França)
Intérpretes: Edwige Feuillère (Lucrèce Borgia), Gabriel Gabrio (César Borgia), Roger Karl (Papa), etc.
95 minutos.
1936 – TOILERS OF THE SEA (LES TRAVAILLEURS DE LA MER)
Realização: Selwyn Jepson (Inglaterra)
Intérpretes: Andrews Engelmann (Capt. Clubin), Cyril McLaglen (Gilliatt), Wilson Coleman (Lethierry), Ian Colin (Peter Caudray), William Dewhurst, Mary Lawson, Walter Sondes, etc.
83 minutos.
1937 – GAVROSH (LES MISERABLES)
Realização: Tatyana Lukashevich (URSS)
76 minutos.
1939 – THE HUNCHBACK OF NOTRE DAME (NOTRE-DAME DE PARIS)
Hunchback of Notre Dame, The (1939)
Realização: William Dieterle (EUA)
Intérpretes: Charles Laughton (Quasimodo), Cedric Hardwicke (Frollo), Thomas Mitchell (Clopin), Maureen O'Hara (Esmeralda), Edmond O'Brien (Gringoire), Alan Marshal, Walter Hampden, Harry Davenport, Katharine Alexander, etc.
116 minutos.
1941 – IL RE SI DIVERTE
Realização: Mario Bonnard (Itália)
Intérpretes: Michel Simon (Rigoletto), María Mercader (Gilda), Paola Barbara (Marquesa di Cosse), Rossano Brazzi (Francesco I), Franco Coop, Doris Duranti, Marcello Giorda, Juan de Landa, Loredana, etc.
92 minutos.
1943 – LOS MISERABLES
Realização: Fernando A. Rivero (México)
Intérpretes: Domingo Soler (Jean Valjean), Manolita Saval, (Cosette), Andrés Soler (Thenadier), Emma Roldán, Antonio Bravo, David Silva, Margarita Cortés, etc.
1944 – EL BOASSA (LES MISERABLES)
Realização: Kamal Selim (Egipto)
Miserables, Les (1944)
1944 – EL REY SE DIVIERTE
Rey se divierte, El (1944)
Realização: Fernando de Fuentes (México)
Intérpretes: Ángel Di Stefani, Manuel Dondé, Edmundo Espino, Sara Guasch, Emilia Guiú, Ramón G. Larrea, Federico Mariscal, Carlos Martínez Baena, José Elías Moreno, Tomás Perrín, Salvador Quiroz, Humberto Rodríguez, et.
1946 – RIGOLETTO
Rigoletto (1946)
Realização: Carmine Gallone (Itália)
Intérpretes: Tito Gobbi (Rigoletto), Marcella Govoni (Gilda), Lina Pagliughi (Gilda), Mario Filippeschi (Duque de Mantua), Anna Maria Canale (Maddalena), Giulio Neri, Giuseppe Varni, Marcello Giorda, Roberto Bruni, Virgilio Gottardi, etc.
1947 – I MISERABILI (LES MISERABLES)
Realização: Riccardo Freda (Itália)
Intérpretes: Gino Cervi (Jean Valjean), Valentina Cortese (Fantine/Cosette), Aldo Nicodemi (Marius), Hans Hinrich (Javert), Gabriele Ferzetti, Andreina Pagnani, Duccia Giraldi, Marcello Mastroianni, Luigi Pavese, etc.
140 minutos.
1948 – RUY BLAS
Realização: Pierre Billon (França) (adaptação de Jean Cocteau)
Intérpretes: Jean Marais (Ruy Blas), Danielle Darrieux (Rainha Maria de Espanha), Marcel Herrand (Don Salluste de Bazan), Gilles Quéant (Duque de Alba), Jone Salinas, Paul Amiot, Gabrielle Dorziat, Giovanni Grasso, Jacques Berlioz, Pierre Magnier, etc.
98 minutos.
1950 – RE MIZERABURU: KAMI TO AKUMA
Realização: Daisuke Itô, Masahiro Makino (Japão)
Intérpretes: Sessue Hayakawa
1952 - LUCRECE BORGIA
Realização: Christian-Jaque (França)
Intérpretes: Martine Carol (Lucrèce Borgia), Pedro Armendariz (César Borgia), Massimo Serrato (Alphonse d'Aragon), etc.
120 minutos.
1952 – LES MISERABLES
Realização: Lewis Milestone (EUA)
Intérpretes: Michael Rennie (Jean Valjean), Debra Paget (Cosette), Robert Newton (Javert), Sylvia Sidney (Fantine), Cameron Mitchell (Marius), Edmund Gwenn, Elsa Lanchester, James Robertson Justice, Joseph Wiseman, Rhys Williams, etc.
105 minutos.
1953 – LA GIOCONDA (ANGELO, TYRAN DE PADOUE)
Realização: Giacinto Solito (Itália)
Intérpretes: Paolo Carlini, Alba Arnova, Attilio Dottesio, Virginia Loy, Vera Silenti, Peter Trent, Vittorio Vaser, etc.
1953 – SEA DEVILS (LES TRAVAILLEURS DE LA MER)
Realização: Raoul Walsh (EUA)
Intérpretes: Yvonne De Carlo (Droucette), Rock Hudson (Gilliatt), Maxwell Reed (Rantaine), Denis O'Dea (Lethierry), Michael Goodliffe, Byan Forbes, Jacques B. Brunius, Ivor Barnard, Arthur Wontner, Gérard Oury, etc.
91 minutos.
1956 – NOTRE DAME DE PARIS
Realização: Jean Delannoy (França, Itália)
Intérpretes: Gina Lollobrigida (Esmeralda), Anthony Quinn (Quasimodo), Jean Danet (Capitão Phoebus de Chateaupers), Alain Cuny (Claude Frollo), Robert Hirsch (Gringoire), Danielle Dumont, Philippe Clay, Maurice Sarfati, Jean Tissier, Valentine Tessier, Jacques Hilling, Jacques Dufilho, etc. 115 minutos.
1957 – LES MISERABLES
Realização: Jean-Paul Le Chanois (França, Alemanha, Itália)
Intérpretes: Jean Gabin (Jean Valjean/Champmathieu), Bernard Blier (Javert), Bourvil (Thenardier), Danièle Delorme (Fantine), Béatrice Altariba .(Cosette), Gianni Esposito (Marius Pontmercy), Silvia Monfort (Eponine), Elfriede Florin (La Thenardier), Serge Reggiani (Enjolras), etc.
217 minutos.
1957 – NANBANJI NO SEMUSHI-OTOKO (NOTRE DAME DE PARIS)
Nanbanji no semushi-otoko (1957)
Realização: Torajiro Saito (Japão)
Intérpretes: Achako Hanabishi, Naitoshi Hayashi, Tamao Nakamura, Shunji Sakai, Kyu Sazanka, etc.
78 minutos.
1958 – OS MISERAVEIS (LES MISERABLES) Série de TV
"Miseráveis, Os" (1958)
(Brasil)
Intérpretes: Débora Duarte (Cosette), et.
1964 – I MISERABILI Série de TV
Realização: Sandro Bolchi (Itália)
Intérpretes: Tino Carraro, Giulia Lazzarini, Gastone Moschin, etc.
1962 – QUATRE-VINGT-TREIZE TV
Realização: Alain Boudet (França)
Intérpretes: Michel Etcheverry (Marquês de Lantenac), Jean Mercure (Cimourdain), Pierre Michaël (Gauvain), Loleh Bellon (La Flécharde), Jacques Dynam, Yves Arcanel, Julien Guiomar, Jean Saudray, etc.
115 minutos.
1966 – L’UOMO CHE RIDE ou L’HOMME QUI RIT
Realização: Sergio Corbucci (França, Itália)
Intérpretes: Jean Sorel (Astorre/Angelo), Lisa Gastoni (Lucretia Borgia), Ilaria Occhini (Dea), Edmund Purdom (Caesar Borgia), Linda Sini, Gianni Musi, Nino Vingelli, Gino Pernice, Ferdinando Poggi, Livia Contardi, Adriano Cornelli, Pierre Clémenti, John Bartha, Dom Moor, et.
101 minutos.
1966 - MARIE TUDOR
Realização: Abel Gance (França)
Intérpretes: Françoise Christophe (Marie Tudor), Pierre Massimi (Fabian), Marc Cassot (Gilbert), Lucien Raimbourg (Joshua), Michel de Ré (Simon Renard, Henri VIII), Bernard Dheran (Dudley), etc.
200 minutos (1ª parte: « Le Secret des Talbot », 1h 40 – 2ª parte: « Justice est faite », 1h 40)
1967 – LES MISERABLES Série de TV
(Inglaterra)
50 minutos. (10 episódios)
1967 – OS MISERÁVEIS (LES MISÉRABLES) Série de TV
(Brasil)
Intérpretes: Leonardo Villar (Jean Valjean), Otávio Augusto, Esmeralda Barros, Sadi Cabral, Maria Isabel de Lizandra (Cosette), Laura Cardoso, Rubens Correia, Raul Cortez, Geraldo Del Rey, Serafim Gonzalez, Ivone Hoffman, Leina Krespi, Cacilda Lanuza, etc.
1967 - MARION DELORME
Realização: Jean Kerchbron (França)
Intérpretes: Françoise Fabian (Marion Delorme), Giani Esposito (Didier), Roland Dubillard (Louis XIII), Jean-François Poron (le marquis de Savern).
112 minutos.
1971 - L’HOMME QUI RIT
Realização: Jean Kerchbron (França)
Intérpretes: Xavier Depraz (Ursus), Éric Damain (Gwymplaine enfant),
Philippe Bouclet (Gwymplaine adulte), Delphine Desyeux (Déa), Juliette Villard (la duchesse Josiane), etc.
232 minutos (1ª parte: Les Comprachicos 74’ – 2ª parte: Les Grands de ce monde, 71’ – 3ª parte: Par ordre du roi, 87’).
1971 - LA FOLIE DES GRANDEURS
Realização: Gérard Oury (França, Espanha, Itália, Alemanha)
Intérpretes: Louis de Funès (Don Salluste), Yves Montand (Blaze), Alberto Mendoza (Rei), Karin Schubert (Rainha), Gabriele Tinti (Don Cesar), etc.
113 minutos.
1972 - RUY BLAS
Realização: Raymond Rouleau (França)
Intérpretes: François Beaulieu (Ruy Blas), Paul-Émile Deiber (Don Salluste), Jean Piat (Don César de Bazan), Claude Winter (la reine), Denise Gence (la duègne), etc.
133 minutos.
1972 – LES MISERABLES Série de TV
Realização: Marcel Bluwal (França)
Intérpretes: Georges Géret (Jean Valjean), Nicole Jamet (Cosette), François Marthouret (Marius), Bernard Fresson (Javert), Alain Mottet (Thénardier), Micha Bayard (La Thénardier), Jean-Luc Boutté, Lucien Nat, Alain Dorval, Mario Pecqueur, Jean-Marie Robain, Jean-Pierre Sentier, etc.
(1ª parte: La Masure Gorbeau; 2ª parte: l’Epopée de la rue Saint-Denis)
245 minutos.
1976 - HERNANI
Realização: Raymond Rouleau (França) (Mise en scène: Robert Hossein)
Intérpretes: François Beaulieu (Hernani), Geneviève Casile (Dona Sol), Jacques Toja (Don Ricardo), Nicolas Silberg (Don Carlos), Jean-François Remi (Don Ruy Gomez de Silva). Etc.
15 minutos.
1976 - TORQUEMADA (TORQUEMADA, Teatro, 1882)
Realização: Jean Kerchbron (França)
Intérpretes: Jean Martin (Torquemada), François Chaumette (le roi),
Michel Vitold (le marquis de Fuentes), Pieral (Gucho), Claude Genia (la reine).
110 minutos.
1977 – THE HUNCHBACK OF NOTRE DAME (NOTRE-DAME DE PARIS) TV
Realização: Alan Cooke (Inglaterra)
Intérpretes: Kenneth Haigh (Claude Frollo), Warren Clarke (Quasimodo), Michelle Newell (Esmeralda), Christopher Gable (Pierre), David Rintoul (Jehan), Richard Morant (Phoebus), Hetty Baynes, Ruth Goring, Tony Caunter, Liz Smith, John Ratcliff, etc.
1977 – LUCREZIA BORGIA (TV)
Realização: John Charles (Australia )
Intérpretes: Joan Sutherland (Lucrecia), Robert Allman (Don Alfonso), Josephine Bermingham (Princesa Negrone), Robin Donald (Jeppo Liberotto), Margreta Elkins, Graeme Ewer, Lamberto Furlan, John Germain, Neville Grave, Ron Stevens, etc.
140 minutos.
1977 - COSETTE (LES MISERABLES)
Realização: Arnolde Bourovs (URSS)
(Filme de animação, realizado com bonecas)
9 minutos.
1978 – LES MISERABLES TV
Realização: Glenn Jordan (Inglaterra, EUA)
Intérpretes: Richard Jordan (Jean Valjean), Anthony Perkins (Javert), Caroline Langrishe (Cosette), Christopher Guard (Marius), Angela Pleasence (Fantine), Ian Holm (Thenardier), Claude Dauphin (Bispo Myriel), John Gielgud, Cyril Cusack, Flora Robson, Celia Johnson, etc.
150 minutos.
1981 – RIGOLETTO TV
Realização: Brian Large (Itália)
Intérpretes: Vicenzo Bello (Duque de Mantua), Garbis Boyagian (Rigoletto), Gigliola Caputi (Giovanna), Alida Ferrarini (Gilda), Bruno Grella (Marullo), Carlo Manganotti (Borsa), Franca Mattiucci (Magdalena), Carlo Meliciani, Orazio Mori, Antonio Zerbini, etc.
110 minutos.
1982 – ERNANI TV
Realização: Preben Montel (Itália)
Intérpretes: Plácido Domingo (Ernani), Renato Bruson (Don Carlo), Nicolai Ghiaurov (Don Ruy Gomez de Silva), Mirella Freni (Elivira), Joranda Michieli (Giovanna), Gianfranco Manganotti (Don Riccardo), Alfredo Giacometti (Jago), etc.
138 minutos.
1982 – THE HUNCHBACK OF NOTRE DAME (NOTRE-DAME DE PARIS) TV
Realização: Michael Tuchner (Inglaterra)
Intérpretes: Anthony Hopkins (Quasimodo), Derek Jacobi (Dom Claude Frollo), David Suchet (Clopin Trouillefou), Gerry Sundquist (Pierre Gringoire), Tim Pigott-Smith (Philippe), John Gielgud, Robert Powell, Lesley-Anne Down, Nigel Hawthorne, etc.
150 ou 102 minutos.
1982 – LES MISERABLES
Realização: Robert Hossein (França)
Intérpretes: Lino Ventura (Jean Valjean/M. Madeleine), Michel Bouquet (Inspector Javert), Jean Carmet (Thenardier), Evelyne Bouix (Fantine), Christiane Jean (Cosette), Frank David (Marius), Candice Patou (Eponine), Françoise Seigner (La Thenardier), Louis Seigner (Monseigneur Myriel), Paul Préboist (Fauchelevent), Fernand Ledoux (Guillenormand), Emmanuel Curtil (Gavroche), Hervé Furic (Enjolras), Corinne Dacla (Azelma), Valentine Bordelet
187 minutos.
1982 – RIGOLETTO (LE ROI S'AMUSE)
Realização: Jean-Pierre Ponnelle (Alemanha Ocidental)
Intérpretes: Ingvar Wixell (Rigoletto/Monterone), Edita Gruberova (Gilda), Luciano Pavarotti (Duque de Mantova), Ferruccio Furlanetto (Sparafucile), Victoria Vergara (Maddalena), Fedora Barbieri, Bernd Weikl, Roland Bracht, Louis Otey, Kathleen Kuhlmann, Rémy Corazza, etc.
128 minutos.
1982 – RIGOLETTO TV
Realização: John Michael Phillips (Inglaterra)
Intérpretes: John Rawnsley (Rigoletto), Marie McLaughlin (Gilda), Arthur Davies (Duque de Mantova), John Tomlinson (Spalafucile), Jean Rigby (Maddalena), Terry Jenkins, Myrna Moreno, Seam Rea, Mark Richardson, Malcolm Rivers, etc.
130 minutos.
1983 – ERNANI TV
Realização: Kirk Browning (EUA)
Intérpretes: Luciano Pavarotti (Ernani), Leona Mitchell (Donna Elvira), Ruggero Raimondi (Don Ruy Gomez de Silva), Sherrill Milnes (Don Carlos), Charles Anthony, Richard Vernon, Jean Craft, etc.
142 minutos.
1983 - ESMERALDA
Realização: Catherine Duytsche (França)
Intérpretes: Jean-Paul Zennacker (vagabundo), Laure Sabardin (Esmeralda), Virginie Arzul (Petite Esmeralda), etc.
12 minutos.
1985 - LETTRE (Chansons des Rues et des Bois – antologia de poemas, 1865)
Realização: Jean-Denis Robert (França)
Intérpretes: Catherine Houssay (Juliette), Bruno Arnoult (Victor), Alain Laugénie (autor)
4 minutos.
1985 – LES MISERABLES TV
Realização: Robert Hossein (França)
Intérpretes: Lino Ventura (Jean Valjean), Michel Bouquet (Inspecteur Javert), Jean Carmet (Thénardier), Jean-Pierre Bernard (Advogado), Paul Préboist (Fauchelevent), Françoise Seigner (La Thénardier), Valentine Bordelet, Evelyne Bouix (Fantine), Emmanuel Curtil (Gavroche), Corinne Dacla (Azelma), Frank David (Marius), Catherine Di Rigo, Hervé Furic (Enjolras), Christiane Jean (Cosette), Bernard Dumaine, René Dupré, Georges Lycan, Armand Mestral, Martine Pascal, Candice Patou, Louis Seigner, Arlette Thomas, etc.
1986 - GAVROCHE
Realização: Irina Gourvitch (URSS)
(Desenho animado, segundo um episódio de Les Miserables)
18 minutos.
1987 – DÍAS DIFÍCILES
Realização: Alejandro Pelayo (México)
Intérpretes: Beatriz Aguirre (Dona Amalia Castelar), Fernando Balzaretti (Ricardo Castelar), Blanca Guerra (Luisa Castelar), Sonia Olhovich, Alejandro Parodi, Luis Manuel Pelayo, etc.
1987 - LA CONSCIENCE (antologia de poemas: La Légende des siècles, 1859)
Realização: Pierre Veck (Pierre Vexliard)
(animação) série «Textos Sagrados»
4 minutos.
1988 – LA GIOCONDA (ANGELO, TYRANT OF PADUA) TV
(Espanha)
Intérpretes: Grace Bumbry (Gioconda), Fiorenza Cossotto (Laura), Viorica Cortez (Cega), Ermanno Mauro (Enzo), Ivo Vinco (Alvise), Matteo Manuguerra, Vicenç Esteve, Alfredo Heilbron, Stefano Palatchi, Jesús Castillón,
Música: Amilcare Ponchielli.
1988 - QASIMODO D'EL PARIS
Realização: Patrick Timsit (França)
Intérpretes: Patrick Timsit (Quasimodo), Richard Berry (Frollo), Mélanie Thierry (Agnès/Esméralda), Vincent Elbaz (Phoebus).
100 minutos.
1989 – RIGOLETTO (LE ROI S'AMUSE) TV
(Espanha)
Intérpretes: Alfredo Kraus (Duque de Mantua), John Rawnsley (Rigoletto), Patricia Wise (Gilda), Miguel A. Zapater (Sparafucille), Eleonora Jankovic (Maddalena), Lola Casariego (Giovanna), etc.
Música: Giuseppe Verdi (Ópera "Rigoletto")
1993 – MEST SHUTA (LE ROI S'AMUSE)
Realização: Boris Blank (Rússia)
Intérpretes: Boris Moiseyev, Kakhi Kavsadze, Vyacheslav Razbegayev, Nikolai Dobrynin, Aleksandr Domogarov, Yekaterina Golubeva, Olga Koposova, Aleksandr Zuyev, Yevgeni Platokhin, Aleksandr Chutko, Vitali Varganov, Irina Otiyeva, Dmitri Arbuzov, Aleksandr Ternovsky, etc.
80 minutos.
1995 – LES MISERABLES IN CONCERT (LES MISERABLES)
Realização: John Caird, Trevor Nunn (Inglaterra)
Intérpretes: Colm Wilkinson (Jean Valjean), Philip Quast (Javert), Ruthie Henshall (Fantine), Jenny Galloway (Madame Thenardier), Alun Armstrong (Thenardier), Lea Salonga (Eponine), Michael Ball (Marius), Michael Maguire, Judy Kuhn, Anthony Crivello, David Bardsley, Keith Burns, Matt Cammelle, Hannah Chick, Nick Holder, Takeshi Kaga, Beverley Klein, Darryl Knock, Steven Matthews, Craig Pinder, Peter Polycarpou, Jérôme Pradon, Adam Searles, Mike Sterling, Tony Timberlake, etc. 1995 – LES MISERABLES ou LES MISERABLES DU VINGTIEME SIECLE
Realização: Claude Lelouch (França)
Intérpretes: Jean-Paul Belmondo (Henri Fortin/Jean Valjean), Michel Boujenah (ndré Ziman), Alessandra Martines (Elise Ziman), Salome (Ziman), Annie Girardot (Thénardière 1942), Philippe Léotard (Thénardier 1942), Clémentine Célarié (Catherine/Fantine), Philippe Khorsand (polícia/Javert), Ticky Holgado (Kind Hoodlum), Rufus (Thénardier 1830/1990), Nicole Croisille (Thénardière 1830/1990), William Leymergie (Toureiffel), Jean Marais (Mgr Myriel), Micheline Presle (Madre Superiora), Darry Cowl (livreiro), etc.
175 minutos.
1996 – THE HUNCHBACK OF NOTRE DAME (NOTRE-DAME DE PARIS)
Realização: Gary Trousdale, Kirk Wise (EUA) animação
Intérpretes (vozes): Tom Hulce (Quasimodo), Demi Moore (Esmeralda), Tony Jay (Juiz Claude Frollo), Kevin Kline (Capitão Phoebus), Paul Kandel, Jason Alexander, Charles Kimbrough, Mary Wickes, David Ogden Stiers, Heidi Mollenhauer, etc.
91 minutos.
1996 - NOTRE-DAME DE PARIS
Realização: André Flederick (França)
Bailado com coreografia de: Rolland Petit (Opéra National de Paris)
86 minutos.
1997 – THE HUNCHBACK (NOTRE-DAME DE PARIS) TV
Realização: Peter Medak (EUA, Hungria)
Intérpretes: Mandy Patinkin (Quasimodo), Richard Harris (Dom Frollo), Salma Hayek (Esmeralda), Edward Atterton (Gringoire), Benedick Blythe (Phoebus), Nigel Terry (Rei Luis), Jim Dale (Clopin), Trevor Baxter, Vernon Dobtcheff, Nickolas Grace, Matthew Sim, Cassie Stuart, Gabi Fon, Michael Mehlmann, Olga Antal, etc.
98 minutos.

1998 – LES MISERABLES
Realização: Bille August (EUA, Inglaterra)
Intérpretes: Liam Neeson (Jean Valjean), Geoffrey Rush (Inspector Javert), Uma Thurman (Fantine), Claire Danes (Cosette), Hans Matheson (Marius), Reine Brynolfsson (Capitão Beauvais), Peter Vaughan (bispo), Christopher Adamson (Bertin), Tim Barlow, Timothy Bateson, Veronika Bendová, David Birkin, Patsy Byrne, Kathleen Byron, Václav Chalupa, 159 minutos.
1999 – NOTRE-DAME DE PARIS
Realização: Gilles Amado (França, Grécia)
Intérpretes: Hélène Ségara (Esmeralda), Daniel Lavoie (Frollo), Bruno Pelletier (Gringoire), Garou (Quasimodo), Patrick Fiori (Phoebus), Luck Mervil (Clopin), Julie Zenatti (Fleur-de-Lys), etc.
150 minutos
1999 – QUASIMODO D'EL PARIS (NOTRE-DAME DE PARIS)
Realização: Patrick Timsit (França)
Intérpretes: Patrick Timsit (Quasimodo), Richard Berry (Frollo), Mélanie Thierry (Esméralda/Agnes), Vincent Elbaz (Phoebus), Didier Flamand, Patrick Braoudé, Axelle Abbadie, Dominique Pinon, Albert Dray, Doud, Nicola Pepe, Tess Indycki, François Levantal, Franck Monier, Noëlle Musart, etc . 100 minutos. 2000 – LES MISÉRABLES ou GEFANGENE DES SCHICKSALS Série de TV
Realização: Josée Dayan
Intérpretes: Gérard Depardieu (Jean Valjean), Christian Clavier (Thénardier), John Malkovich (Javert), Virginie Ledoyen (Cosette), Enrico Lo Verso (Marius), Charlotte Gainsbourg (Fantine), Asia Argento (Éponine Thénardier), Veronica Ferres (Madame Thénardier), Jeanne Moreau (Mère Inocente), Giovanna Mezzogiorno (Soeur Simplice), Vadim Glowna (Fauchelevent), Steffen Wink (Enjolras), Léopoldine Serre (Cosette, criança), Jérôme Hardelay (Gavroche), Michel Duchaussoy (Lenormand), etc.
4 episódios de 90 minutos cada.

DOCUMENTÁRIOS SOBRE A VIDA E OBRA DE VICTOR HUGO

1951 - VICTOR HUGO
Realização: Yvonne Gerber, Roger Leenhardt (França)
Produção: Les Films du Compas / 38 minutos

1952 - PAGES D’EXIL
Realização: André Zwobada (França)
Produção: Doc / 23 minutos

1962 - ICI A SOUFFLE L’ESPRIT
Realização: Henri Champetier (França)
Produção: SNPC / 13 minutos.

1964 - VICTOR HUGO
Realização: Anthony M. Roland (França)
Produção: Les Films de Saturne / 14 minutos

1965 - VICTOR HUGO IMAGIER DE L’OMBRE
Realização: Max-Pol Fouchet (França) (Terre des Arts)
Produção: INA (ORTF) / 80 minutos

1966 - VICTOR HUGO, LES CONTEMPLATIONS, LIVRE V ET VI
Realização: Éric Rohmer (França) (para a televisão escolar)
Produção: Institut pédagogique national / 21 minutos

1966 - DESSINS ET MERVEILLES
Realização: Nelly Kaplan (França)
Produção: Cythère films / 13 minutos.

1968 - VICTOR HUGO – LE RHIN
Realização: Yves Thaler, Christian Pouillon (França)
Produção: Les Productions de Touraine / 11 minutos

1969 - VICTOR HUGO, POETE EN MARCHE
Realização:: Pierre Gavarry (França)
Produção: Institut pédagogique national / 30 minutos

1969 - EXIL DE VICTOR HUGO A GUERNESEY
(Chronique de France n° 42) (França)
Produção: Pathé / 270 minutos.

1969 - LEOPOLDINE
Realização: Georges Rebillard (França)
Produção: Films Georges Rebillard / 12 minutos

1969 - QUATRE-VINGT-TREIZE
(Les Cent livres) Emissão de Claude Santelli et Françoise Verny
Realização: Claude Santelli (França)
Intérpretes: Suzanne Flon, Pierre Mondy, Pierre Fresnay, Jean Guehenno
Produção: INA (ORTF) / 32 minutos

1974 - VICTOR HUGO, HOMME DE L’OUEST
Realização: André de Beaumont (França); Emissão: Gilbert Prouteau
Com a colaboração de Jean-Claude Bouillaud, Michèle Dormoy, Robert Dullier, Françoise Maroilles, Jeanine Samson, Jean Topart, Jean Negroni.
Produção: INA (ORTF) / 52 minutos

1969 - VICTOR HUGO ARCHITECTE
Realização: Éric Rohmer (França) (para a televisão esvolar)
Produção : Institut pédagogique national /25 minutos.

1977 - JERSEY – GUERNESEY - VICTOR HUGO EN EXIL
Realização: Jean Lefait (França)
Produção: Les Films du Chevain / 13 minutos

1985 - VICTOR HUGO – JULIETTE DROUET : CORRESPONDANCE
(FRANÇA, 1985), 56’, COULEUR
(Lire c’est vivre)
Émission de : Pierre Dumayet
Realização: Roland Coste (França)
Produção: INA (A2) / 56 minutos

1988 - MARINE TERRACE
Realização: Michel Pamart (França)
Produção: Musée d’Orsay, La Sept, Square Productions / 16 minutos

2001 - BERNARD CHAMBAZ A LA RECHERCHE DE VICTOR HUGO
Realização: M. Paintault (França)
Produção: CNDP, La Cinquième / 12 minutos.

FICÇÕES QUE EVOCAM O AUTOR OU A SUA FAMÍLIA

1975 - HISTOIRE D’ADELE H.
Realização: François Truffaut (França)
Intérpretes: Isabelle Adjani (Adèle Hugo), Bruce Robinson (tenente Pinson), Sylvia Mariott (Madame Saunders), Joseph Blatchley (Whistler)
(adaptação de «Journal d'Adèle Hugo», de France S. Guille)
95 minutos.

1898 - LUMIERE : SCENES A TRANSFORMATIONS :
Rostos de Pateur, Lesseps, Alexandre Dumas, Victor Hugo, Zola
Realização: desconhecido (França)
Menos de 1minutos.

1898 - LUMIERE : SCENES A TRANSFORMATIONS :
Victor Hugo e principais personagens de Les Misérables
Realização: desconhecido (França)
Menos de 1minutos

1994 - NAN VA SHER
(Pain et poésie)
Realização: Kiumars Poorahmad (Irão)
Intérpretes: M. Bagherbeigi, P. Yazdanian, J. Sadri, M. Maleki, M. A. Miandari
Produção: Instituto para o desenvolimento intelectual das crianças – Irão
91 minutos

1968 - OSHIBA ONORE DE BALZAKA ou "HONORE DE BALZAC ERROR" (La Faute d’Honoré de Balzac)
Realização: Timophey Levtchouk (URSS)
(com uma sequência em que Victor Hugo aparece como personagem)
100 minutos

1988 - LA REVOLUTION DE VICTOR HUGO
(FRANÇA, 1988), 51', COULEUR
(versão reduzida de "Victor Hugo et la Révolution")
Realização: Jacqueline Margueritte (França) (para a televisão escolar)
51 minutos

1985 - VICTOR HUGO ET LA REVOLUTION
(primeira versão de "La Révolution de Victor Hugo")
Realização: Jacqueline Margueritte(França) (pour la télévision scolaire)
Production : Centre de documentation pédagogique (CNDP)
Intérpretes: Charles Gonzales (Hernani, Ruy Blas, o velho, Gauvain, a voz de Victor Hugo), Michel Prud'homme (Don Carlos), Jean-Claude Demory (o cronista), Dominique Bernard (Monsieur de Saint Vallier), Jacques-Henri Fabre (François 1er), Roland Lacoste (Triboulet), Marc Berman (Alexandre Weill), Jean-Marie Fertey (padre), Bertrand Liebert (jovem, Gavroche), Philippe Nahon (Cimourdain), etc.
86 minutos.

1977 - YULIA VREVSKAYA (Julie Vrevska)
Realização: Nicolas Korabov (URSS, Bulgária)
(com uma sequência em que Victor Hugo aparece como personagem)
Scénario et adaptation : Nicolas Korabov, Semyon Lungin
Production: Boyara Films (Bulgarie) ; Mosfilm (Russie) ; Zaigralni Films
Intérpretes: Lyudmila Savelyeva, Stefan Danailov, Yuri Yakovlev, Regimantas Adomaitis, Vladimir Ivashov
139 minutos.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

2 de Novembro de 2009

:
CHARLES DICKENS,
“OLIVER TWIST” E DAVID LEAN
Neste caso deve começar-se pelo princípio, e no princípio era o verbo, o verbo e a palavra de um escritor magnífico, que cada vez que o relemos nos surpreende. Logo depois de sair da projecção da mais recente adaptação de “Oliver”, a de Roman Polanski, o que apeteceu foi reler Dickens. Na biblioteca repousavam ainda os volumes da editora Romano Torres, velhinhos mas bem tratados, e, entre eles, lá estava “Oliver Twist”. Nessa noite, o prazer de adolescente regressou ao folhear as páginas já amarelecidas e, sobretudo, ao saborear a escrita vigorosa, colorida, exaltante, crítica, justiceira, generosa de Charles Dickens. Compreende-se que os seus romances sejam dos mais adaptados de sempre ao cinema, compreende-se que Oliver Twist e David Coperfield sejam figuras inesquecíveis, compreende-se que Dickens tenha feito mais pelo espírito natalício do que todos os outros escritores mundiais reunidos. O seu Scrooge de “A Christmas Carol” deve ser das personalidades mais célebres de todo o imaginário artístico universal.
Ao reler páginas de “Oliver Twist” percebemos qual deveria ser o entusiasmo dos americanos, cada vez que aportava um navio vindo de Inglaterra, com novos fascículos deste e de outros romances de Dickens. Compreende-se a ansiedade com que deveriam perguntar a cada passageiro que ia saindo novas das suas personagens preferidas. A arte de entrelaçar situações, de desenvolver acções, a forma de criar e manter o suspense, o rigor na descrição das personagens, a ironia fina e a critica vigorosa, o gosto pela caricatura mordaz, a fraterna defesa dos mais fracos e dos mais humildes, a ternura para com as crianças e as mulheres, em contraste com a aspereza de trato para com poderosos prepotentes e medíocres acolitados, tudo isso fazia, faz e fará de Dickens um escritor sem igual, imperecível.

Charles Dickens
Charles John Huffam Dickens nasceu no dia 7 de Fevereiro de 1812, em Portsmouth (387, Mile End Terrace, Landport, Portsea) no Hampshire, Inglaterra, filho de John Dickens, funcionário da Armada, e de Elizabeth Barrow. Aos cinco anos, a família mudou-se para Chatham, no Kent, onde prolongou uma infância apenas remediada, mas suficientemente rica de um ponto de vista cultural. Foi a mãe quem o ensinou a ler, actividade que desenvolveu depois de forma voraz, consumindo quer novelas picarescas de Tobias Smollett e Henry Fielding, quer obras de um outro fôlego, como as de Daniel Defoe, Goldsmith, o "Dom Quixote", o "Gil Blas" ou as "Mil e uma Noites". Foi nestes títulos, em personagens e situações que não mais esqueceria, que foi beber muita da influência que mais tarde iria dispersar pela sua obra.
Se a família tinha algumas posses, se conseguiu mesmo frequentar uma escola privada durante a infância, tudo se alteraria a partir do momento em que o pai foi preso por dívidas. Muda-se então, com a mãe e irmãos, para o popular bairro de Camden Town, em Londres. Tinha dez anos, viviam em quartos pobres e empenhavam as pratas e os livros. Era necessário arranjar dinheiro para a família e foi encontrar trabalho, dois anos depois, numa fábrica de graxa para sapatos, na Warren’s, uma empresa de um amigo da família, que ficava onde hoje se encontra a estação ferroviária de Charing Cross. Colava rótulos nos frascos de graxa e ganhava seis xelins por semana.
Passados alguns anos, uma herança paterna libertou a família da prisão, mas não Dickens da fábrica. Aí conheceria um amigo, da sua idade, cuja história iria transformar na intriga central de “Oliver Twist”. Diz a lenda. O universo infantil, a sua exploração em termos de trabalho escravo, seriam a partir daqui uma das suas obsessões. Em Maio de 1827, Dickens começou a trabalhar como amanuense num cartório. Poderia nessa altura ter seguido a carreira de advogado, mas preferiu aprender taquigrafia e ser, durante algum tempo, estenógrafo do tribunal. Continuava a devorar livros, agora na biblioteca do British Museum. Apaixona-se pela filha de um banqueiro, Maria Beadnell, mas os banqueiros não querem as filhas casadas com filhos de presos por dívidas, o caso morre ali, para grande desgosto de Dickens.
É por essa altura que se inicia na escrita, como jornalista, primeiramente cronista judicial e, depois, relatando os debates parlamentares e cobrindo as campanhas eleitorais. Viaja pelo país de diligência e escreve “Sketches by Boz” (Boz foi o pseudónimo encontrado, inspirado na alcunha do seu irmão mais novo, que era incapaz de pronunciar a palavra Moses), pequenas peças jornalísticas que surgiam no “Morning Chronicle”. Tinha pouco mais de vinte anos, quando “The Pickwick Papers” iria confirmá-lo como escritor e estabelecer uma mística.
O que o “New Sporting Magazine” pretendia inicialmente era que Dickens comentasse por escrito algumas ilustrações desportivas. Entre 1831 e 1834, o jornal tinha tido grande sucesso com uma série semelhante, "Jorrock´s Jaunts and Jollities", sobre um comerciante “cockney” que tenta a todo o custo ser reconhecido como o bom caçador que não era. O ilustrador Robert Seymour propôs aos editores “Chapman and Hall” criar uma série semelhante, agora sobre um "Clube Nimrod" onde também se troçaria dos caçadores inexperientes, mas muito convencidos. Dickens tomou conta do projecto mas criou um clube de “observadores de curiosidades”, o que afastou definitivamente o ilustrador da ideia inicial, Seymour, que viria a suicidar-se na sequência destes acontecimentos. Procurou-se outro ilustrador e a sorte viria a ditar o nome de William Makepeace Thackeray (conhecido pela alcunha de Phiz), mais tarde um escritor da mesma grandeza de Dickens.



Pickwick e Oliver
Em finais de Março de 1836 sai o primeiro fascículo de “Pickwick” e dias depois casa com Catherine Hogarth, que lhe dará dez filhos, cujos nomes suscitam homenagens a referências literárias: Charles Culliford Boz Dickens (6 de Janeiro, 1837 - 1896), Mary Angela Dickens (6 de Março, 1838 - 1896), Kate Macready Dickens (29 de Outubro, 1839 - 1929), Walter Landor Dickens (8 de Fevereiro, 1841 - 1861), Francis Jeffrey Dickens (15 de Janeiro, 1844 - 1886), Alfred D'Orsay Tennyson Dickens (28 de Outubro, 1845 - 1912), Sydney Smith Haldimand Dickens (18 de Abril, 1847 - 1872), Henry Fielding Dickens (15 de Janeiro, 1849 - 1933), Dora Annie Dickens (16 de Agosto, 1850 - Abril, 1851) e Edward Bulwer Lytton Dickens (13 de Março, 1852 - 1902). Houve quem visse nesta ligação dos nomes dos filhos à história da literatura inglesa, uma forma de Dickens iniciar uma “dinastia literária”. Tal não aconteceu. Uns esbanjaram dinheiro, outros aproveitaram-se da celebridade do pai, mas apenas Monica Dickens, uma bisneta, ganharia algum renome com a escrita de romances.
“The Pickwick Papers” começa por não ser um sucesso público, vende uns discretos 400 exemplares no seu lançamento, mas a partir da altura em que aparece o criado de Pickwick, Sam Weller, personagem que relembra Sancho Pança numa versão “cockney”, é que o triunfo sucede e se atingem os 40 000 exemplares. Em 1836, é obra! Mas há explicações para este sucesso: o público anglófono (entre a Grã-Bretanha e os EUA) é o mais letrado do mundo. Londres tem mais de um milhão e meio de habitantes, a atracção pela capital vai desertificando os campos, a revolução industrial vai formando uma população heterogénea, o trabalho infantil prospera de forma inclemente, as injustiças socais aumentam, radicalizando os campos. É em 1845 que Engels publica “A Situação da Classe Operária em Inglaterra”, onde se analisa à luz do marxismo estas situações que Dickens não deixará de fazer reflectir na sua obra, ainda que não numa perspectiva puramente revolucionária, mas mais reformista e humanista. Isso leva-o a ter na mão não só as classes operárias, mas também a burguesia.
Dois anos depois do triunfo de Pickwick, Dickens lança-se na publicação, igualmente em folhetins semanais, de “Oliver Twist”, com ilustrações de Cruikshank. O livro penetra nas suas recordações de infância, no mundo da criança maltratada, no universo depressivo e opressor de uma sociedade de profundas injustiças sociais, no âmago da Inglaterra industrial e vitoriana de um capitalismo selvagem e desregrado.
Já célebre e com reputação mundial de escritor consagrado viaja com a mulher pelos EUA, onde é recebido entusiasticamente, servindo a viagem de base a “American Notes” e influenciando ainda alguns capítulos de “Martin Chuzzlewit”. Mas cedo voltou os americanos contra si, ao acusar os seus escritores e editores de plagiarem a literatura inglesa e não pagarem os direitos referentes às suas obras que circulam em edições piratas.
Em 1843, publica “A Christmas Carol”, a mais famosa obra dedicado ao Natal, que conta com milhares de edições em todas as línguas, e adaptações a todas as formas de narrativa, desde o cinema, a televisão, a banda desenhada, o teatro… Mas a esta história, outras se seguem, igualmente impregnadas de espírito natalício, como “The Chimes” (1844), escrita em Génova, ou “The Cricket on the Hearth” (1845). Em 1846 aparece como director de um jornal, o “Daily News”, mas a experiência dura pouco e, em 1848, sai “Dombey and Son”, abordando a revolução industrial na perspectiva dos operários dos transportes ferroviários. No ano seguinte publica outro dos seus romances mais populares, “David Copperfield”, em grande parte autobiográfico. Em 1854, será a vez "Tempos Difíceis", dedicado ao escritor e amigo Thomas Carlyle.
A revista semanal “Household Words”, onde viria a publicar, em folhetins, alguns dos seus romances, foi fundada também por ele, em 1850. A publicação seria reformulada em 1859, mudando de nome para “All the year round”. Extremamente popular na época, lido por milhares de leitores em todo o mundo, contando com um público fiel, Dickens tornou-se um homem de teres e haveres, o que lhe permitiu concretizar um sonho de criança e adquirir, em 1856, uma casa e propriedade de nome “Gad’s Hill Place”, perto de Chatham, onde passaria a viver até à sua morte. O local tinha também um significado especial porque algumas cenas do “Henrique V” de Shakespeare estavam indicadas como localizadas nessa mesma área.

Vida familiar conturbada
Mas a vida de Dickens ficou marcada por vários dramas e tragédias. A morte súbita da irmã da mulher, Georgina, com apenas 19 anos, foi uma delas, pois o escritor tinha por ela uma grande afeição. Em 1858, distanciado da mulher que amara, mas que entretanto o desiludira, divorcia-se, decisão obviamente não muito bem vista nessa época, sobretudo entre notáveis. Havia um evidente desajuste entre a vida de ambos. Por essa altura, morre igualmente uma filha recém nascida do casal. Catherine não conseguia partilhar a energia e a impetuosidade de Dickens. Houve rumores de um caso amoroso com a cunhada Georgina, mais tarde uma ligação fortuita com o seu amor de adolescência, Maria Beadnell, posteriormente o seu grande caso com a actriz Ellen Ternan.
A 9 de Junho de 1865, ao regressar de França, onde fora visitar a amante, Dickens sofreu um acidente ferroviário, em Staplehurst. As seis primeiras carruagens do comboio caíram de uma ponte em reparação, a única carruagem que não se desmoronou foi aquela onde viajava Dickens, Ellen Ternan e a mãe desta. As duas senhoras desapareceram rapidamente do local da tragédia, o escritor desmultiplicou-se no auxílio aos feridos e quase se ia esquecendo de um original entre os destroços. Mas lembrou-se a tempo de resgatar, de dentro da carruagem do comboio, o manuscrito inacabado do seu romance “Our Mutual Friend”. Abafada a ocorrência, Ellen iria tornar-se na companheira fiel que não o abandonou até ao final dos seus dias, apesar de nunca se terem casado oficialmente. Mas o incidente teve outras consequências no escritor. Apesar de ter saído aparentemente ileso do acidente, nunca mais recuperou totalmente do choque. O ritmo da sua produção literária decresceu bastante depois deste episódio. Irá terminar lentamente “Our Mutual Friend” e não irá completar “The Mystery of Edwin Drood”, onde alguns estudiosos dizem sentir a influência de Wilkie Collins, amigo de Dickens e um dos pioneiros do romance policial. Dedicou grande parte dos últimos anos da sua vida a esforçadas e emotivas leituras públicas, que o debilitaram também. Sozinho em palco, lia de forma arrebatada e comovente excertos de obras suas que entusiasmavam as plateias. Foram essas leituras que o levaram novamente à América em 1867, desta vez em triunfo constante.
Cinco anos depois do acidente de Staplehurst, exactamente no dia 9 de Junho de 1870, morreu e foi sepultado no “Poets' Corner”, na Abadia de Westminster. O túmulo encerra uma vida: “Apoiante dos pobres, dos que sofrem e dos oprimidos. Com a sua morte desaparece um dos maiores escritores que a Inglaterra deu ao mundo.” A sua glória não para de crescer. Em 1980, a histórica Eastgate House, em Rochester, no Kent, foi convertida num museu dedicado a Charles Dickens. Aí também, anualmente, realiza-se o Festival Dickens. A casa onde nasceu, em Portsmouth é igualmente um museu. Londres também tem a sua casa-museu Dickens (Doughty Street, 48).

Um escritor raro
Muitos dos romances de Dickens foram escritos para serem distribuídos, mensal ou semanalmente, em folhetins publicados em jornais como o “Household Words”, o que tornava as histórias mais acessíveis a um público mais vasto. Um dos inegáveis talentos do escritor era essa capacidade em conciliar uma narrativa em fascículos (dir-se-ia hoje) com a possibilidade futura de se apresentarem, tal como hoje os conhecemos, num volume único, um romance coerente na sua globalidade. Apesar de nunca deixar de ter em conta o seu público-alvo, e de alterar por vezes o traçado da narrativa, em virtude de criticas ou reacções de leitores aos seus folhetins (exemplos disso encontram-se em “Martin Chuzzlewit”, onde foram incluídas cenas passadas na América, para contrariar o decréscimo de vendas dos primeiros capítulos, ou em “Our Mutual Friend”, onde aparece uma personagem, Riah, um judeu simpático, para contrapor ao pérfido Fagin, de “Oliver Twist”, que levou Dickens a ser acusado de anti-semitismo), a sua escrita aspirou sempre a uma altíssima qualidade, interligando o melodrama social e a sátira, a critica às deprimentes condições de vida de algumas classes e estratos sociais, em contraste com a leviandade e a avareza da alta sociedade vitoriana, que retrata expondo cinismo, hipocrisia, egoísmo e prepotência. Sendo um realista, era um realista de influência gótica, um escritor que como poucos sabia dosear a tragédia e o humor, a invenção e a fantasia com o mais premente realismo, em muitos aspectos autobiográfico. Cenas de tribunal, políticos parlamentares, crianças exploradas, prisões por dívidas, raparigas que morrem jovens, toda uma galeria de situações e de figuras nasce da sua própria experiência pessoal.
Dickens soube retratar uma época de profundas transformações políticas, sociais, económicas e culturais. Filho do maior império do mundo, conseguiu escrever e testemunhar o que via e sentia de tal forma que ajudou a modificar a realidade social: algumas prisões fecharam ou foram remodeladas (Marshalsea e Fleet, por exemplo), estabelecimentos de ensino e orfanatos tal como existiam na época desapareceram, o saneamento básico de Londres foi reformulado, as condições de trabalho nas fábricas humanizadas…

“Oliver Twist” de David Lean a Roman Polanski
“Oliver Twist”, de Roman Poolanski, não é a melhor adaptação do romance, ainda que seja uma versão muito aproximada da concebida por Dickens. Vendo o filme e relendo o livro, notam-se semelhanças que apontam numa quase ilustração da palavra do escritor. Anteriormente outros realizadores já se tinham ocupado do tema, desde David Lean que dirigiu “As Aventuras de Oliver Twist” em 1948, uma excelente versão a preto e branco com Alec Guiness num Fagin inesquecível, até Carol Reed que, em 1968, levara a cinema a versão musicada de Lionel Bart, igualmente com bons resultados.
Curiosamente há nas versões que conhecemos de “Oliver” abordagens diversificadas, mas cenas que parecem transitar de filme para filme. A personagem do bedel do orfanato muda de nome, não muda de figura, a sequência em que Oliver pede “mais comida” e a subsequente ida à direcção do orfanato (que se banqueteia principescamente com lautos pratos de apetitosa comida) parecem quase filmadas do mesmo ângulo e interpretadas pelos mesmos actores… Mas aí é a força da escrita de Dickens que relembra quase um guião de cinema e impõe uma directriz sem recuo.

“As Aventuras de Oliver Twist”
Centremo-nos na versão de 1948, de David Lean, “As Aventuras de Oliver Twist” que se destaca desde logo pela fabulosa fotografia a preto e branco assinada por Guy Green. Desde a sequência inicial que essa fotografia nos agarra, desde essa paisagem batida pelo temporal, com uma mulher grávida a avançar em direcção a um albergue de mendicidade, onde acaba por dar á luz um menino, antes de morrer. Os cenários são rebuscados, os enquadramentos sugestivos, a iluminação contrastada, o efeito seguro. Dir-se-ia, ao vendo o desenrolar da obra, que o filme cruza habilmente uma certa tradição de realismo social inglês e alguns vestígios apurados do expressionismo alemão, tanto ao nível do cenários, como da iluminação, do jogo das sombras e das luzes, prolongando-se até pelo desenho das personagens. Nesse aspecto toda a mise-en-scéne (ou realização) é particularmente forte na forma como sugere sem apontar. Veja-se logo no início, como os poderosos se enquadram, em relação a Oliver: ocupando o espaço, engolindo a criança, estrangulando a frágil silhueta, aprisionando-a num rectângulo sem horizontes.
Quase no final, há uma sequência passada numa taberna que relembra o ambiente de “O Anjo Azul”, de Sternberg, e não raro nos vêm à memória imagens de “Matou”, de Triz Lang. Mas com a marca da criatividade de David Lean.
Todo o filme é, aliás, uma excelente sucessão de sugestões de imagem e som que tornam inúteis quaisquer explicações trazidas pelo diálogo. Um exemplo: as crianças no albergue têm fome, e têm medo de o dizer. Espreitam os poderosos a comer numa farta mesa, e quando chega a vez de solicitar mais comida tiram à sorte quem o fará. A palha mais curta que define a iniciativa cabe a Oliver. Logo todos os colegas se afastam criando uma clareira de solidão à sua volta. E quando Oliver se dirige ao bedel Bumble, que o espera batendo ameaçadoramente com a varinha na perna, qualquer espectador antecipa as consequências do acto. Todo este clima de medo e prepotência é muito bem dado numa Londres sinistramente esconsa e suja, numa arquitectura de castelo fantasma ou torre de horrores. Neste particular, na elaboração dos cenários, também esta versão de David Lean é brilhante, criando uma reconstituição de época que quase nos transmite não só a cor como o cheiro, os sons e o tacto. E quase nada é apetecível nesta sociedade egoísta e velhaca, mesquinha e gananciosa, hipócrita e prepotente, onde os mais fracos soçobram, quer sejam as crianças como as mulheres.
O filme não é rigorosamente fiel ao livro, mas julgo-o a mais fidedigna de todas as adaptações ao espírito do romance de Dickens, que tem merecido muitas e interessantes versões. Há personagens que desaparecem, Bet, por exemplo, a amiga de Nancy, e situações que surgem condensadas. O que é normal em casos como este. Mas para quem lê Dickens e vê o seu pequenino herói dividir com o cão do cangalheiro os restos e dormir debaixo do balcão de uma agência funerária, assolado pelos fantasmas de uma imaginação povoada por imagens tétricas, esta é definitivamente uma boa recriação do universo de um dos maiores escritores de língua inglesa.
David Lean trouxe para “Oliver Twist” quase toda a equipa que dois anos antes havia realizado “Great Expectations”, com enorme sucesso crítico e de público, incluindo os produtores Ronald Neame e Anthony Havelock-Allan, o já citado director de fotografia Guy Green, o designer John Bryan e o montador Jack Harris. Kay Walsh, que era então mulher de David Lean, e tinha colaborado na adaptação de “As Grandes Esperanças”, interpreta aqui o papel de Nancy.
“Oliver” de Roman Polanski
Umas pequenas notas ainda sobre a adaptação de Roman Polanski que, sendo uma obra muito apreciável de um ponto de vista cinematográfico, não é a obra-prima que se poderia esperar do autor desse vibrante e pungente “O Pianista” que evocava o gheto de Varsóvia com uma qualidade plástica e uma densidade humana invulgares. Neste mais recente “Oliver” que tem seguramente também muito de biográfico em relação ao próprio Polanski, há menos novidade e uma forma mais clássica, a rondar o académico, de contar uma história, de evocar atmosferas, de impor personagens. Numa ou outra ocasião, o génio do cineasta explode, como na sequência da descoberta do corpo assassinado de Nancy, na forma como se joga com a montagem e a banda sonora, na articulação dos planos, que terminam com uma paisagem agreste, com um ramo de árvore em primeiro plano e um agoirento corvo.
Polanski confessou, em entrevista, que gostaria de realizar um filme a que pudesse assistir com os filhos ainda jovens. Andava por essa altura, de colaboração com o argumentista Ron Harwood (uma dupla que vem de “O Pianista”), à procura de um bom tema e surgiu-lhe a história do órfão que Dickens imortalizou. Desde os seus primeiros dias no tenebroso orfanato, Oliver Twist parece destinado a ser triturado por uma (ou múltiplas) encarnação do Mal que o persegue: a sua venda a um fabricante de caixões, a fuga e a ida para Londres, onde é desviado para o covil de Fagin, o judeu (no filme nunca referido enquanto tal) rei dos ladrões que domina as ruelas da cidade através de uma legião de miúdos, a prisão por um roubo que não cometeu e o posterior resgate por parte de um bondoso Mr. Brownlow, com peso na consciência, o rapto e o regresso às ruas, onde Nancy e Bill Sykes ocupam destacado lugar, tudo isto são peripécias de um calvário que tem muito a ver com a personagem de Wladyslaw Szpilman, interpretada por Adrien Brody em “O Pianista”: em ambos os casos temos figuras que o acaso confronta com situações limite que os ultrapassam e a que quase não reagem
Não sendo o filme excepcional que se augurava do encontro de Dickens e Polanski, “Oliver Twist” é, ainda assim, um belíssimo retrato de uma Londres vitoriana e uma evocação suficientemente contrastada de uma sociedade saída de transformações importantes, que necessitava de ver corrigidos excessos e desumanos desvios.


“OLIVER TWIST” EM CINEMA

DEATH OF NANCY SYKES
Título original: Death of Nancy Sykes
(EUA, 1897); Argumento: Charles Dickens (romance)
Intérpretes: Mabel Fenton (Nancy Sykes), Charles Ross (Bill Sykes), etc.

MR. BUMBLE THE BEADLE
Título original: Mr. Bumble the Beadle
(Inglaterra, 1898); Argumento: Charles Dickens (romance)

A MODERN OLIVER TWIST
Título original: A Modern Oliver Twist
Realização: J. Stuart Blackton (EUA, 1906); Argumento: segundo romance de Charles Dickens;
Curta-metragem

OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist
Realização: J. Stuart Blackton (EUA, 1909); Argumento: Eugene Mullin, segundo romance de Charles Dickens;
Intérpretes: Edith Storey (Oliver), William Humphrey (Fagin), Elita Proctor Otis (Nancy Sykes), etc.
Curta-metragem.

L’ ENFANCE D' OLIVER TWIST
Título original: L’ Enfance d' Oliver Twist
Realização: Camille de Morlhon (França, 1910); Argumento: segundo romance de Charles Dickens;
Intérpretes: Jean Périer
Curta-metragem.

OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist
Produção: H.A. Spanuth (EUA, 1912) Argumento: segundo romance de Charles Dickens;
Intérpretes: Vinnie Burns (Oliver Twist), Lillian DeLesque (Rose), Nat C. Goodwin (Fagin), Stuart Holmes (Bumble), Jack Hopkins (Charles Leeford), Frank Kendrick (Mr. Grimwig), Hudson Liston (Mr. Brownlow), Millie Liston (Mrs. Maylie), etc.

OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist
Realização: Thomas Bentley (Inglaterra, 1912); Argumento: Thomas Bentley, segundo romance de Charles Dickens;
Intérpretes: Ivy Millais (Oliver Twist), John McMahon (Fagin), Harry Royston (Bill Sykes), Alma Taylor (Nancy), Flora Morris (Rose Maylie), Mr. Rivary (Mr. Brownlow), Willie West, etc.

OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist
Realização: James Young (EUA, 1916); Argumento: Winthrop Ames, James Young, segundo romance de Charles Dickens; Fotografia (p/b): Harold Rosson; Assistentes de realização: Dudley Blanchard, W.S. Van Dyke;
Intérpretes: Marie Doro (Oliver Twist), Edythe Chapman (Mrs. Brownlow), Tully Marshall (Fagin), Hobart Bosworth (Bill Sykes), James Neill (Mr. Brownlow), Elsie Jane Wilson (Nancy), Harry L. Rattenberry (Mr. Bumble), etc.
Duração: 50 minutos;

TWIST OLIVER
Título original: Twist Olivér
Realização: Márton Garas (Hungria, 1919); Argumento: segundo romance de Charles Dickens;
Intérpretes: Jenö Törzs

OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist
Realização: Lupu Pick (Alemanha, 1920); Argumento: segundo romance de Charles Dickens;

OLIVER TWIST, JR.
Título original: Oliver Twist, Jr.
Realização: Millard Webb (EUA, 1921); Argumento: F. McGrew Willis, segundo romance de Charles Dickens; Fotografia (p/b): William C. Foster; Apresentação: William Fox;
Intérpretes: Harold Goodwin (Oliver Twist Jr.), Lillian Hall (Ruth Norris), George Nichols (Schoolmaster), Harold Esboldt (Dick), Scott McKee (o trapaceiro ardiloso), Clarence Wilson (Fagin), G. Raymond Nye (Bill Sykes), Hayward Mack (Monks), etc.

TENSE MOMENTS WITH GREAT AUTHORS
Título original: Tense Moments with Great Authors
Episódio: Fagin
Realização: H.B. Parkinson (Inglaterra, 1922); Argumento: W. Courtney Rowden, segundo Charles Dickens (romance); Intérpretes: Ivan Berlyn (Fagin), etc.
Episódio: Nancy
Realização: H.B. Parkinson (Inglaterra, 1922); Argumento: W. Courtney Rowden, segundo Charles Dickens (romance); Intérpretes: Ivan Berlyn (Fagin), Sybil Thorndike (Nancy), etc.

OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist
Realização: Frank Lloyd (EUA, 1922); Argumento: Walter Anthony, Frank Lloyd, Harry Weil, segundo romance de Charles Dickens; Música: John Muri (versão restaurada em 1975); Fotografia (p/b): Glen MacWilliams, Robert Martin; Montagem: Irene Morra; Direcção artística: Stephen Goosson; Guarda-roupa: Walter J. Israel; Produção: Sol Lesser.
Intérpretes: Lon Chaney (Fagin), James A. Marcus (Mr. Bumble), Aggie Herring (Mrs. Corney), Jackie Coogan (Oliver Twist), Nelson McDowell (Sowerberry), Lewis Sargent (Noah Claypole), Joan Standing (Charlotte), etc.
Duração: 74 minutos; 98 minutos (versão de DVD)

OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist
Realização: William J. Cowen (EUA, 1933); Argumento: Elizabeth Meehan, segundo romance de Charles Dickens; Música: Mischa Bakaleinikoff; Direcção musical: Abe Meyer; Fotografia (p/b): J. Roy Hunt; Montagem: Carl Pierson; Direcção de Produção: Herbert Brenon; Som: John Stransky Jr.; Produção: I.E. Chadwick.
Intérpretes: Dickie Moore (Oliver Twist), Irving Pichel (Fagin), William 'Stage' Boyd (Bill Sikes), Doris Lloyd (Nancy Sikes), Alec B. Francis (Mr. Brownlow), Barbara Kent (Rose Maylie), etc.
Duração: 80 minutos;

AS AVENTURAS DE OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist
Realização: David Lean (Inglaterra, 1948); Argumento: Stanley Haynes, David Lean, segundo romance de Charles Dickens; Música: Arnold Bax, Guy Warrack (Canções); Pianista (tema Oliver): Harriet Cohen; Apresentador: J. Arthur Rank; Fotografia (p/b): Guy Green; Montagem: Jack Harris; Decoração: T. Hopewell Ash, Claude Momsay; Guarda-roupa: Margaret Furse; Maquilhagem: Stuart Freeborn, Biddy Chrystal; Direcção de Produção: Norman Spencer; Assistentes de realização: George Pollock; Departamento de arte: John Bryan; Som: Stanley Lambourne, Gordon K. McCallum, Winston Ryder; Efeitos especiais: Stanley Grant, Joan Suttie; Produção: Ronald Neame, Anthony Havelock-Allan.
Intérpretes: Robert Newton (Bill Sikes), Alec Guinness (Fagin), Kay Walsh (Nancy), Francis L. Sullivan (Mr. Bumble), John Howard Davies (Oliver Twist), Henry Stephenson (Mr. Brownlow), Mary Clare (Mrs. Corney), Anthony Newley (o trapaceiro ardiloso), Josephine Stuart (mãe de Oliver), Ralph Truman (Monks), Kathleen Harrison (Mrs. Sowerberry), Gibb McLaughlin (Mr. Sowerberry), Amy Veness (Mrs. Bedwin), Diana Dors (Charlotte), Frederick Lloyd, Ivor Barnard, Maurice Denham, W.G. Fay, Michael Dear, Henry Edwards, Hattie Jacques, Michael Ripper, Peter Bull, Deidre Doyle, Kenneth Downey, Edie Martin, Fay Middleton, Graveley Edwards, John Potter, Maurice Jones, Betty Paul, Erik Chitty, Arthur Mullard, Nosher Powell, Dennis Wyndham, etc.
Duração: 116 minutos; Distribuição em Portugal: Lusomundo Audiovisuais (DVD); Classificação etária: M/ 6 anos.

OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist (série de TV)
(Brasil, 1955) Argumento: Dionísio Azevedo, segundo romance de Charles Dickens;
Intérpretes: Percy Aires, Jaime Barcellos (Fagin), Verinha Darci, Heitor de Andrade (Mr.Bumble), Lima Duarte, Guiomar Gonçalves, Luiz Gustavo (Raposa), etc.

THE DUPONT SHOW OF THE MONTH
Título original: The DuPont Show of the Month (série de TV - 1957-1961)
Realização: Daniel Petrie (episódio "Oliver Twist") (EUA, 1957); Argumento: Michael Dyne (episódio "Oliver Twist"),
Título original: Oliver Twist / Episódio 3.4 - 4 Dezembro 1959
Intérpretes: Tom Clancy (Bill Sykes), Frederick Clark (o trapaceiro ardiloso), John Colicos (Monks), Beulah Garrick (Mrs. Sowerberry), William Hickey (Toby Crackit), Michael Hordern (Mr. Sowerberry), Lucy Landau (Mrs. Corney), Ronald Long (Mr. Grimwig), John McGiver (Bumble), Anne Meara, Robert Morley (Mr. Brownlow), Dick O'Neill, Eric Portman (Fagin), George Rose (Juiz Fang), Inga Swenson (Rose), Richard Thomas (Oliver Twist), George Turner (livreiro), James Valentine (Noah Claypole), Margaretta Warwick, Nancy Wickwire (Nancy Sykes), Kathy Willard (Bet)
Duração: 90 min cada episódio.

OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist (série de TV)
Argumento: segundo romance de Charles Dickens; (Brasil, 1960)

LE THEATRE DE LA JEUNESSE: OLIVER TWIST
Título original: Le Théâtre de la jeunesse: Oliver Twist (TV)
Realização: Jean-Paul Carrère (França, 1962); Argumento: Claude Santelli, Serge Zanetti, segundo romance de Charles Dickens;
Intérpretes: André Oumansky (Bill), Alice Reichen (Sally), René Clermont (médico), Philippe Ogouz (Renard), Gérard Riou (Olivier Twist), Jacques Seiler (director), Françoise Fleury (Mme Sowerberry), Albert Rémy (Sowerberry), etc.

OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist (mini-série para TV)
Produção: Eric Tayler (Inglaterra, 1962) Argumento: Constance Cox, segundo romance de Charles Dickens;
Intérpretes: Max Adrian (Fagin), George Curzon (Mr. Brownlow), Aimée Delamain (Sally), Donald Eccles (Mr. Sowerberry), Willoughby Goddard (Mr. Bumble), Melvyn Hayes (o trapaceiro ardiloso), Barbara Hicks (Mrs. Sowerberry), Carmel McSharry (Nancy), Bruce Prochnik (Oliver Twist), Peter Vaughan (Bill Sikes), etc.
Duração: 30 minutos (13 episódios)

OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist (TV)
Realização: Jean-Paul Carrère (França, 1962); Argumento: segundo romance de Charles Dickens;
Intérpretes: Marcel Dalio, etc.

OLIVER!
Título original: Oliver! ou Lionel Bart's Oliver!
Realização: Carol Reed (Inglaterra, 1968); Argumento: Vernon Harris, segundo musical de Lionel Bart, segundo romance de Charles Dickens; Música: Lionel Bart, Johnny Green; Fotografia (cor): Oswald Morris; Montagem: Ralph Kemplen; Casting: Jenia Reissar; Design de prdução: John Box; Direcção artística: Terence Marsh; Guarda-roupa: Phyllis Dalton; Maquilhagem: George Frost Bobbie Smith, Hugh Richards; Direcção de Produção: Denis Johnson Jr., Denis Johnson; Assistentes de realização: Colin M. Brewer,Ray Corbett; Departamento de arte: Vernon Dixon, Peter Dukelow, Percy Godbold, Ken Muggleston; Som: Buster Ambler, John Cox, Jim Groom, Bob Jones, Ken Runyon; Efeitos especiais: Alan Bryce; Produção: John Woolf.
Intérpretes: Ron Moody (Fagin), Shani Wallis (Nancy), Oliver Reed (Bill Sikes), Harry Secombe (Mr. Bumble), Mark Lester (Oliver Twist), Jack Wild (o trapaceiro ardiloso), Hugh Griffith (Juiz), Joseph O'Conor (Mr. Brownlow), Leonard Rossiter (Mr. Sowerberry), Hylda Baker (Mrs. Sowerberry), Kenneth Cranham (Noah Claypole), Megs Jenkins (Mrs. Bedwin), Sheila White (Bet), Peggy Mount (Mrs. Bumble), Wensley Pithey (Dr. Grimwig), James Hayter, Elizabeth Knight, Fred Emney, Edwin Finn, Roy Evans, Norman Mitchell, Robert Bartlett, Graham Buttrose, Jeffrey Chandler, Kirk Clugston, Dempsey Cook, Christopher Duff, Nigel Grice, Ronnie Johnson, Nigel Kingsley, Robert Langley, Brian Lloyd, Peter Lock, Clive Moss, Ian Ramsey, Peter Renn, Billy Smith, Kim Smith, Freddie Stead, Raymond Ward, John Watters, Anthony Kemp, John Baskcomb, Frank Crenshaw, Jack Haig, Peter Hoare, Arnold Locke, Jane Peach, Norman Pitt, Nosher Powell, Keith Roberts, Vernon White, etc.
Duração: 153 minutos; Classificação etária: M/ 6 anos.

OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist
Realização: Hal Sutherland (EUA, 1974); Argumento: Ben Starr, segundo romance de Charles Dickens; Produção: Norm Prescott, Lou Scheimer.
Intérpretes: Josh Albee, Cathleen Cordell, Lola Fisher, Robert Holt, Davy Jones, Larry D. Mann, Dal McKennon, Billy Simpson (Oliver Twist, voz), Larry Storch, etc.
Duração: 91 minutos;

THE FURTHER ADVENTURES OF OLIVER TWIST
Título original: The Further Adventures of Oliver Twist
Realização: Ian Fordyce, Paul Harrison (Inglaterra, 1980); Argumento: David Butler, segundo romance de Charles Dickens;
Intérpretes: Bryan Coleman (Mr. Brownlow), John Fowler (o trapaceiro ardiloso), Harold Innocent (Mr. Bumble), Daniel Murray (Oliver Twist), David Swift (Fagin), etc.
Duração: 30 minutos (13 episódios)

OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist (TV)
(1981) Argumento: segundo romance de Charles Dickens;
Intérpretes (vozes): Josh Albee (Oliver Twist), Les Tremayne (Fagin), etc.
Animação.

OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist (TV)
Realização: Clive Donner (Inglaterra, EUA, 1982); Argumento: James Goldman, segundo romance de Charles Dickens; Música: Nick Bicât; Fotografia (cor): Norman G. Langley; Montagem: Peter Tanner; Direcção artística: Tony Curtis; Maquilhagem: Del Acevedo, Pauline Heys; Assistentes de realização: Michael Murray; Departamento de arte: Paul Purdy; Som: Sandy MacRae; Produção: Ted Childs, Norton Romsey, William F. Storke.
Intérpretes: George C. Scott (Fagin), Tim Curry (Bill Sikes), Michael Hordern (Mr. Brownlow), Timothy West (Mr. Bumble), Eileen Atkins (Mrs. Mann), Cherie Lunghi (Nancy), Oliver Cotton (Monks), Richard Charles (Oliver Twist), etc.
Duração: 103 minutos;

OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist (mini-série para TV)
Realização: Gareth Davies (Inglaterra, 1985); Argumento: Alexander Baron, segundo romance de Charles Dickens;
Intérpretes: Ben Rodska (Oliver Twist), Scott Funnell (Oliver Twist, criança), Eric Porter (Fagin), Frank Middlemass (Mr. Brownlow), Lysette Anthony (Agnes Fleming/Rose Maylie), Amanda Harris (Nancy), Michael Attwell (Bill Sikes), Margaret Ainley, Nigel Anthony, Dicken Ashworth, etc.
Duração: 360 minutos (12 episódios)

THE ADVENTURES OF OLIVER TWIST
Título original: The Adventures of Oliver Twist
Realização: Fernandez Ruiz (EUA, 1991); Argumento: segundo romance de Charles Dickens; Música: Plácido Domingo Jr.; Fotografia (cor): Fernando Franco, Víctor Peña; Produção: Miguel Ángel Casillas, Elias Fernández.

LES NOUVELLES AVENTURES D' OLIVER TWIST
Título original: Les Nouvelles Aventures d'Oliver Twist (série de TV - 1997-1998)
(França, EUA, 1997) segundo romance de Charles Dickens;
Duração: 26 minutos (52 episódios); Animação.

OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist (TV)
Realização: Tony Bill (EUA, 1997); Argumento: Monte Merrick, segundo romance de Charles Dickens; Música: Van Dyke Parks; Fotografia (cor): Bing Sokolsky; Montagem: Axel Hubert; Casting: John Hubbard, Ros Hubbard; Design de prdução: Keith Wilson; Direcção artística: James Hambidge; Decoração: Jim Harkin; Guarda-roupa: Joanna Eatwell, Betsy Heimann; aquilhagem: Bernadette Dooley, Ken Jennings, Nina Kraft, Matthew W. Mungle, Stephen Rose; Direcção de Produção: Paul Munn; Assistentes de realização: Seamus Collins, Bill Kirk; Departamento de arte: Irene O'Brien, Steve Wheeler; Som: Jed M. Dodge, Alan O'Duffy, Phillip Seretti, Janja Vujovich; Produção: John Baldecchi, Richard Dreyfuss, Laurence Mark, Steven North, Morgan O'Sullivan, Stephen Sommers.
Intérpretes: Richard Dreyfuss (Fagin), Elijah Wood (o trapaceiro ardiloso), David O'Hara (Bill Sikes), Alex Trench (Oliver Twist), Antoine Byrne (Nancy), Olivia Caffrey (Rose Maylie), Anthony Finigan (Mr. Brownlow), Maria Charles (Viúva Corney), Des Braiden (Juiz), Eileen Colgan (Mrs. Bedwin), etc.
Duração: 91 minutos;

OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist (mini-série para TV)
Realização: Renny Rye (Inglaterra, 1999); Argumento: Alan Bleasdale, segundo romance de Charles Dickens; Música: Elvis Costello, Paul Pritchard; Fotografia (cor): Walter McGill; Montagem: Wendy Edgar-Jones, David Rees; Casting: Abi Harris, Ros Hubbard, Martina Kubesova; Design de produção: Malcolm Thornton; Direcção artística: Stevie Herbert, Martin Maly; Guarda-roupa: Rosalind Ebbutt; Maquilhagem: Lesley Lamont-Fisher, Ivana Langhammerová, Chris Redman; Direcção de produção: Mally Chung, Martin Joy, Pavel Nový, Zbynek Pippal, Alasdair Whitelaw; Assistentes de realização: Peter Freeman, Lenka Pavlakova, Fletcher Rodley, Jeff Taylor, Tomas Zelenka; Departamento de arte: Jaroslav Cesal, David Creed, Radan Kapinos, Jirí Matolín, Gary Watson; Som: Gareth Bull, John Downer, Paul McFadden, Kate Morath, Ian Tapp, Oliver Tarney, Martin Trevis; Efeitos Especiais: Colin Gorry, Dennis Lowe; Produção: Alison Barnett, Alan Bleasdale, Michele Buck, Rebecca Eaton, Keith Thompson.
Intérpretes: Sam Smith (Oliver Twist), David Ross (Mr Bumble), Julie Walters (Mrs. Mann), Roger Lloyd-Pack (Mr Sowerberry), Ger Ryan (Mrs Sowerberry), Michael Kitchen (Mr Brownlow), Annette Crosbie (Mrs Bedwin), Keira Knightley (Rose Fleming), Tim Dutton (Edwin Leeford), Lindsay Duncan (Elizabeth Leeford), Marc Warren (Monks), Robert Lindsay (Fagin), etc.
Duração: 386 minutos (4 episódios)

BOY CALLED TWIST
Título original: Boy Called Twist
Realização: Tim Greene (África do Sul, 2004); Argumento: Tim Greene, segundo romance de Charles Dickens; Música: Murray Anderson; Fotografia (cor): Mike Downie; Montagem: Ronelle Loots; Casting: Mito Skellern; Som: Jim Petrak, Jeremy Saacks; Produção: Aurelia Driver, Steven Markovitz, Gérard Rudolf, Clare van Zyl; Intérpretes: Peter Butler (Monks), Bill Curry (Bassedien), Goliath Davids (Bedel), Kim Engelbrecht (Nancy), Lesley Fong (Fagin), Bart Fouche (Bill Sykes), Jarrid Geduld (Twist), etc.
Duração: 115 minutos;

OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist
Realização: Roman Polanski (Inglaterra, Republica Checa, França, Itália, 2005); Argumento: Ronald Harwood, segundo romance de Charles Dickens; Música: Rachel Portman; Fotografia (cor): Pawel Edelman; Montagem: Hervé de Luze; Casting: Celestia Fox; Design de prdução: Allan Starski; Direcção artística: Jindrich Kocí; Decoração: Jille Azis; Guarda-roupa: Anna B. Sheppard; Maquilhagem: Michele Baylis, Linda Eisenhamerova, Jean-Max Guérin, Didier Lavergne, Ivo Strangmüller; Direcção de Produção: Daniel Champagnon, Veronika Finkova, Jiri Husak, Ondrej Nerud; Assistentes de realização: Martina Götthansova, Vaclav Hanka, Vojta Hlavicka, Karolina Koutna, Olda Mach, Petr Nemecek, Ralph Remstedt, Caroline Veyssière; Departamento de arte: Alice Bartosova, Jana Bulakova, Barry Gibbs, Jan Kotik, Keith Pain, Katerina van Gemundova; Som: Philippe Amouroux, Nicolas Becker, Jean-Marie Blondel, Paul Conway, Jean Goudier; Efeitos especiais: Milos Brosinger, Petr Lukavec, Martin Oberlander, Jirí Vater; Efeitos visuais: David Bush, Manfred Büttner, Nora Elsner, Florian Gellinger, Clare Heneghan, Sandra Moll; Produção: Robert Benmussa, Timothy Burrill, Petr Moravec, Roman Polanski, Alain Sarde, Michael Schwarz; Intérpretes: Ben Kingsley (Fagin), Barney Clark (Oliver Twist), Leanne Rowe (Nancy), Mark Strong (Toby Crackit), Jamie Foreman (Bill Sykes), Harry Eden (o trapaceiro ardiloso), Edward Hardwicke (Mr. Brownlow), Ian McNeice (Mr. Limbkins), Jeremy Swift (Mr. Bumble), Frances Cuka (Mrs. Bedwin), Michael Heath (Mr. Sowerberry), Gillian Hanna (Mrs. Sowerberry), Alun Armstrong (Juiz Fang), Andy de la Tour, Peter Copley, Joseph Tremain, Andreas Papadopoulos, Laurie Athey, Filip Hess, Lewis Chase, Jake Curran, Chris Overton, Richard Durden, Timothy Bateson, Andy Linden, John Nettleton, Teresa Churcher, Gerard Horan, Morgane Polanski, Liz Smith, Levi Hayes, Ophelia Lovibond, Elvis Polanski, Patrick Godfrey, Anezka Novak, Andy Camm, Frank Mills, Turbo, David Meeking, Paul Brooke, Andrea Miltner, Kaeren Revell, Kay Raven, Lizzy Le Quesne, Robert Orr, Paul Eden, Nick Stringer, James Babson, Richard Ridings, etc. Duração: 130 minutos; Distribuição em Portugal: Lusomundo Audiovisuais; Classificação etária: M/ 12 anos.

CHARLES DICKENS:
Bibliografia:
Principais romances:
The Pickwick Papers (1836)
Oliver Twist (1837–1839)
Nicholas Nickleby (1838–1839)
The Old Curiosity Shop (1840–1841)
Barnaby Rudge (1841)
Romances de Natal:
A Christmas Carol (1843)
The Chimes (1844)
The Cricket on the Hearth (1845)
The Battle for Life (1846)
Martin Chuzzlewit (1843-1844)
Dombey and Son (1846–184*8)
David Copperfield (1849–1850)
Bleak House
Hard Times (1854)
Little Dorrit (1855–1857)
A Tale of Two Cities (1859)
Great Expectations (1860–1861)
Our Mutual Friend (1864–1865)
The Mystery of Edwin Drood (inacabado) (1870)
Outros romances:
Sketches by Boz (1836)
American Notes (1842)
A Child’s History of England (1851–1853)
Contos:
”A Christmas Tree”; "A Message from the Sea"; "Doctor Marigold"; "George Silverman’s Explanation"; "Going into Society"; "Holiday Romance"; "Hunted Down"; "Mrs. Lirriper’s Legacy"; "Mrs. Lirriper’s Lodgings"; "Mugby Junction"; "Perils of Certain English Prisoners"; "Somebody’s Luggage"; "Sunday Under Three Heads"; "The Child’s Story"; "The Haunted House"; "The Haunted Man and the Ghost’s Bargain"; "The Holly-Tree"; "The Lamplighter"; "The Seven Poor Travellers"; "The Trial for Murder"; "Tom Tiddler’s Ground"; "What Christmas Is As We Grow Older"; "Wreck of the Golden Mary".

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