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“OLIVER TWIST” E DAVID LEAN
Neste caso deve começar-se pelo princípio, e no princípio era o verbo, o verbo e a palavra de um escritor magnífico, que cada vez que o relemos nos surpreende. Logo depois de sair da projecção da mais recente adaptação de “Oliver”, a de Roman Polanski, o que apeteceu foi reler Dickens. Na biblioteca repousavam ainda os volumes da editora Romano Torres, velhinhos mas bem tratados, e, entre eles, lá estava “Oliver Twist”. Nessa noite, o prazer de adolescente regressou ao folhear as páginas já amarelecidas e, sobretudo, ao saborear a escrita vigorosa, colorida, exaltante, crítica, justiceira, generosa de Charles Dickens. Compreende-se que os seus romances sejam dos mais adaptados de sempre ao cinema, compreende-se que Oliver Twist e David Coperfield sejam figuras inesquecíveis, compreende-se que Dickens tenha feito mais pelo espírito natalício do que todos os outros escritores mundiais reunidos. O seu Scrooge de “A Christmas Carol” deve ser das personalidades mais célebres de todo o imaginário artístico universal.
Ao reler páginas de “Oliver Twist” percebemos qual deveria ser o entusiasmo dos americanos, cada vez que aportava um navio vindo de Inglaterra, com novos fascículos deste e de outros romances de Dickens. Compreende-se a ansiedade com que deveriam perguntar a cada passageiro que ia saindo novas das suas personagens preferidas. A arte de entrelaçar situações, de desenvolver acções, a forma de criar e manter o suspense, o rigor na descrição das personagens, a ironia fina e a critica vigorosa, o gosto pela caricatura mordaz, a fraterna defesa dos mais fracos e dos mais humildes, a ternura para com as crianças e as mulheres, em contraste com a aspereza de trato para com poderosos prepotentes e medíocres acolitados, tudo isso fazia, faz e fará de Dickens um escritor sem igual, imperecível.
Ao reler páginas de “Oliver Twist” percebemos qual deveria ser o entusiasmo dos americanos, cada vez que aportava um navio vindo de Inglaterra, com novos fascículos deste e de outros romances de Dickens. Compreende-se a ansiedade com que deveriam perguntar a cada passageiro que ia saindo novas das suas personagens preferidas. A arte de entrelaçar situações, de desenvolver acções, a forma de criar e manter o suspense, o rigor na descrição das personagens, a ironia fina e a critica vigorosa, o gosto pela caricatura mordaz, a fraterna defesa dos mais fracos e dos mais humildes, a ternura para com as crianças e as mulheres, em contraste com a aspereza de trato para com poderosos prepotentes e medíocres acolitados, tudo isso fazia, faz e fará de Dickens um escritor sem igual, imperecível.
Charles Dickens
Charles John Huffam Dickens nasceu no dia 7 de Fevereiro de 1812, em Portsmouth (387, Mile End Terrace, Landport, Portsea) no Hampshire, Inglaterra, filho de John Dickens, funcionário da Armada, e de Elizabeth Barrow. Aos cinco anos, a família mudou-se para Chatham, no Kent, onde prolongou uma infância apenas remediada, mas suficientemente rica de um ponto de vista cultural. Foi a mãe quem o ensinou a ler, actividade que desenvolveu depois de forma voraz, consumindo quer novelas picarescas de Tobias Smollett e Henry Fielding, quer obras de um outro fôlego, como as de Daniel Defoe, Goldsmith, o "Dom Quixote", o "Gil Blas" ou as "Mil e uma Noites". Foi nestes títulos, em personagens e situações que não mais esqueceria, que foi beber muita da influência que mais tarde iria dispersar pela sua obra.
Se a família tinha algumas posses, se conseguiu mesmo frequentar uma escola privada durante a infância, tudo se alteraria a partir do momento em que o pai foi preso por dívidas. Muda-se então, com a mãe e irmãos, para o popular bairro de Camden Town, em Londres. Tinha dez anos, viviam em quartos pobres e empenhavam as pratas e os livros. Era necessário arranjar dinheiro para a família e foi encontrar trabalho, dois anos depois, numa fábrica de graxa para sapatos, na Warren’s, uma empresa de um amigo da família, que ficava onde hoje se encontra a estação ferroviária de Charing Cross. Colava rótulos nos frascos de graxa e ganhava seis xelins por semana.
Passados alguns anos, uma herança paterna libertou a família da prisão, mas não Dickens da fábrica. Aí conheceria um amigo, da sua idade, cuja história iria transformar na intriga central de “Oliver Twist”. Diz a lenda. O universo infantil, a sua exploração em termos de trabalho escravo, seriam a partir daqui uma das suas obsessões. Em Maio de 1827, Dickens começou a trabalhar como amanuense num cartório. Poderia nessa altura ter seguido a carreira de advogado, mas preferiu aprender taquigrafia e ser, durante algum tempo, estenógrafo do tribunal. Continuava a devorar livros, agora na biblioteca do British Museum. Apaixona-se pela filha de um banqueiro, Maria Beadnell, mas os banqueiros não querem as filhas casadas com filhos de presos por dívidas, o caso morre ali, para grande desgosto de Dickens.
É por essa altura que se inicia na escrita, como jornalista, primeiramente cronista judicial e, depois, relatando os debates parlamentares e cobrindo as campanhas eleitorais. Viaja pelo país de diligência e escreve “Sketches by Boz” (Boz foi o pseudónimo encontrado, inspirado na alcunha do seu irmão mais novo, que era incapaz de pronunciar a palavra Moses), pequenas peças jornalísticas que surgiam no “Morning Chronicle”. Tinha pouco mais de vinte anos, quando “The Pickwick Papers” iria confirmá-lo como escritor e estabelecer uma mística.
O que o “New Sporting Magazine” pretendia inicialmente era que Dickens comentasse por escrito algumas ilustrações desportivas. Entre 1831 e 1834, o jornal tinha tido grande sucesso com uma série semelhante, "Jorrock´s Jaunts and Jollities", sobre um comerciante “cockney” que tenta a todo o custo ser reconhecido como o bom caçador que não era. O ilustrador Robert Seymour propôs aos editores “Chapman and Hall” criar uma série semelhante, agora sobre um "Clube Nimrod" onde também se troçaria dos caçadores inexperientes, mas muito convencidos. Dickens tomou conta do projecto mas criou um clube de “observadores de curiosidades”, o que afastou definitivamente o ilustrador da ideia inicial, Seymour, que viria a suicidar-se na sequência destes acontecimentos. Procurou-se outro ilustrador e a sorte viria a ditar o nome de William Makepeace Thackeray (conhecido pela alcunha de Phiz), mais tarde um escritor da mesma grandeza de Dickens.
Pickwick e Oliver
Em finais de Março de 1836 sai o primeiro fascículo de “Pickwick” e dias depois casa com Catherine Hogarth, que lhe dará dez filhos, cujos nomes suscitam homenagens a referências literárias: Charles Culliford Boz Dickens (6 de Janeiro, 1837 - 1896), Mary Angela Dickens (6 de Março, 1838 - 1896), Kate Macready Dickens (29 de Outubro, 1839 - 1929), Walter Landor Dickens (8 de Fevereiro, 1841 - 1861), Francis Jeffrey Dickens (15 de Janeiro, 1844 - 1886), Alfred D'Orsay Tennyson Dickens (28 de Outubro, 1845 - 1912), Sydney Smith Haldimand Dickens (18 de Abril, 1847 - 1872), Henry Fielding Dickens (15 de Janeiro, 1849 - 1933), Dora Annie Dickens (16 de Agosto, 1850 - Abril, 1851) e Edward Bulwer Lytton Dickens (13 de Março, 1852 - 1902). Houve quem visse nesta ligação dos nomes dos filhos à história da literatura inglesa, uma forma de Dickens iniciar uma “dinastia literária”. Tal não aconteceu. Uns esbanjaram dinheiro, outros aproveitaram-se da celebridade do pai, mas apenas Monica Dickens, uma bisneta, ganharia algum renome com a escrita de romances.
“The Pickwick Papers” começa por não ser um sucesso público, vende uns discretos 400 exemplares no seu lançamento, mas a partir da altura em que aparece o criado de Pickwick, Sam Weller, personagem que relembra Sancho Pança numa versão “cockney”, é que o triunfo sucede e se atingem os 40 000 exemplares. Em 1836, é obra! Mas há explicações para este sucesso: o público anglófono (entre a Grã-Bretanha e os EUA) é o mais letrado do mundo. Londres tem mais de um milhão e meio de habitantes, a atracção pela capital vai desertificando os campos, a revolução industrial vai formando uma população heterogénea, o trabalho infantil prospera de forma inclemente, as injustiças socais aumentam, radicalizando os campos. É em 1845 que Engels publica “A Situação da Classe Operária em Inglaterra”, onde se analisa à luz do marxismo estas situações que Dickens não deixará de fazer reflectir na sua obra, ainda que não numa perspectiva puramente revolucionária, mas mais reformista e humanista. Isso leva-o a ter na mão não só as classes operárias, mas também a burguesia.
Dois anos depois do triunfo de Pickwick, Dickens lança-se na publicação, igualmente em folhetins semanais, de “Oliver Twist”, com ilustrações de Cruikshank. O livro penetra nas suas recordações de infância, no mundo da criança maltratada, no universo depressivo e opressor de uma sociedade de profundas injustiças sociais, no âmago da Inglaterra industrial e vitoriana de um capitalismo selvagem e desregrado.
Já célebre e com reputação mundial de escritor consagrado viaja com a mulher pelos EUA, onde é recebido entusiasticamente, servindo a viagem de base a “American Notes” e influenciando ainda alguns capítulos de “Martin Chuzzlewit”. Mas cedo voltou os americanos contra si, ao acusar os seus escritores e editores de plagiarem a literatura inglesa e não pagarem os direitos referentes às suas obras que circulam em edições piratas.
Em 1843, publica “A Christmas Carol”, a mais famosa obra dedicado ao Natal, que conta com milhares de edições em todas as línguas, e adaptações a todas as formas de narrativa, desde o cinema, a televisão, a banda desenhada, o teatro… Mas a esta história, outras se seguem, igualmente impregnadas de espírito natalício, como “The Chimes” (1844), escrita em Génova, ou “The Cricket on the Hearth” (1845). Em 1846 aparece como director de um jornal, o “Daily News”, mas a experiência dura pouco e, em 1848, sai “Dombey and Son”, abordando a revolução industrial na perspectiva dos operários dos transportes ferroviários. No ano seguinte publica outro dos seus romances mais populares, “David Copperfield”, em grande parte autobiográfico. Em 1854, será a vez "Tempos Difíceis", dedicado ao escritor e amigo Thomas Carlyle.
A revista semanal “Household Words”, onde viria a publicar, em folhetins, alguns dos seus romances, foi fundada também por ele, em 1850. A publicação seria reformulada em 1859, mudando de nome para “All the year round”. Extremamente popular na época, lido por milhares de leitores em todo o mundo, contando com um público fiel, Dickens tornou-se um homem de teres e haveres, o que lhe permitiu concretizar um sonho de criança e adquirir, em 1856, uma casa e propriedade de nome “Gad’s Hill Place”, perto de Chatham, onde passaria a viver até à sua morte. O local tinha também um significado especial porque algumas cenas do “Henrique V” de Shakespeare estavam indicadas como localizadas nessa mesma área.
Vida familiar conturbada
Mas a vida de Dickens ficou marcada por vários dramas e tragédias. A morte súbita da irmã da mulher, Georgina, com apenas 19 anos, foi uma delas, pois o escritor tinha por ela uma grande afeição. Em 1858, distanciado da mulher que amara, mas que entretanto o desiludira, divorcia-se, decisão obviamente não muito bem vista nessa época, sobretudo entre notáveis. Havia um evidente desajuste entre a vida de ambos. Por essa altura, morre igualmente uma filha recém nascida do casal. Catherine não conseguia partilhar a energia e a impetuosidade de Dickens. Houve rumores de um caso amoroso com a cunhada Georgina, mais tarde uma ligação fortuita com o seu amor de adolescência, Maria Beadnell, posteriormente o seu grande caso com a actriz Ellen Ternan.
A 9 de Junho de 1865, ao regressar de França, onde fora visitar a amante, Dickens sofreu um acidente ferroviário, em Staplehurst. As seis primeiras carruagens do comboio caíram de uma ponte em reparação, a única carruagem que não se desmoronou foi aquela onde viajava Dickens, Ellen Ternan e a mãe desta. As duas senhoras desapareceram rapidamente do local da tragédia, o escritor desmultiplicou-se no auxílio aos feridos e quase se ia esquecendo de um original entre os destroços. Mas lembrou-se a tempo de resgatar, de dentro da carruagem do comboio, o manuscrito inacabado do seu romance “Our Mutual Friend”. Abafada a ocorrência, Ellen iria tornar-se na companheira fiel que não o abandonou até ao final dos seus dias, apesar de nunca se terem casado oficialmente. Mas o incidente teve outras consequências no escritor. Apesar de ter saído aparentemente ileso do acidente, nunca mais recuperou totalmente do choque. O ritmo da sua produção literária decresceu bastante depois deste episódio. Irá terminar lentamente “Our Mutual Friend” e não irá completar “The Mystery of Edwin Drood”, onde alguns estudiosos dizem sentir a influência de Wilkie Collins, amigo de Dickens e um dos pioneiros do romance policial. Dedicou grande parte dos últimos anos da sua vida a esforçadas e emotivas leituras públicas, que o debilitaram também. Sozinho em palco, lia de forma arrebatada e comovente excertos de obras suas que entusiasmavam as plateias. Foram essas leituras que o levaram novamente à América em 1867, desta vez em triunfo constante.
Cinco anos depois do acidente de Staplehurst, exactamente no dia 9 de Junho de 1870, morreu e foi sepultado no “Poets' Corner”, na Abadia de Westminster. O túmulo encerra uma vida: “Apoiante dos pobres, dos que sofrem e dos oprimidos. Com a sua morte desaparece um dos maiores escritores que a Inglaterra deu ao mundo.” A sua glória não para de crescer. Em 1980, a histórica Eastgate House, em Rochester, no Kent, foi convertida num museu dedicado a Charles Dickens. Aí também, anualmente, realiza-se o Festival Dickens. A casa onde nasceu, em Portsmouth é igualmente um museu. Londres também tem a sua casa-museu Dickens (Doughty Street, 48).
Um escritor raro
Muitos dos romances de Dickens foram escritos para serem distribuídos, mensal ou semanalmente, em folhetins publicados em jornais como o “Household Words”, o que tornava as histórias mais acessíveis a um público mais vasto. Um dos inegáveis talentos do escritor era essa capacidade em conciliar uma narrativa em fascículos (dir-se-ia hoje) com a possibilidade futura de se apresentarem, tal como hoje os conhecemos, num volume único, um romance coerente na sua globalidade. Apesar de nunca deixar de ter em conta o seu público-alvo, e de alterar por vezes o traçado da narrativa, em virtude de criticas ou reacções de leitores aos seus folhetins (exemplos disso encontram-se em “Martin Chuzzlewit”, onde foram incluídas cenas passadas na América, para contrariar o decréscimo de vendas dos primeiros capítulos, ou em “Our Mutual Friend”, onde aparece uma personagem, Riah, um judeu simpático, para contrapor ao pérfido Fagin, de “Oliver Twist”, que levou Dickens a ser acusado de anti-semitismo), a sua escrita aspirou sempre a uma altíssima qualidade, interligando o melodrama social e a sátira, a critica às deprimentes condições de vida de algumas classes e estratos sociais, em contraste com a leviandade e a avareza da alta sociedade vitoriana, que retrata expondo cinismo, hipocrisia, egoísmo e prepotência. Sendo um realista, era um realista de influência gótica, um escritor que como poucos sabia dosear a tragédia e o humor, a invenção e a fantasia com o mais premente realismo, em muitos aspectos autobiográfico. Cenas de tribunal, políticos parlamentares, crianças exploradas, prisões por dívidas, raparigas que morrem jovens, toda uma galeria de situações e de figuras nasce da sua própria experiência pessoal.
Dickens soube retratar uma época de profundas transformações políticas, sociais, económicas e culturais. Filho do maior império do mundo, conseguiu escrever e testemunhar o que via e sentia de tal forma que ajudou a modificar a realidade social: algumas prisões fecharam ou foram remodeladas (Marshalsea e Fleet, por exemplo), estabelecimentos de ensino e orfanatos tal como existiam na época desapareceram, o saneamento básico de Londres foi reformulado, as condições de trabalho nas fábricas humanizadas…
“Oliver Twist” de David Lean a Roman Polanski
“Oliver Twist”, de Roman Poolanski, não é a melhor adaptação do romance, ainda que seja uma versão muito aproximada da concebida por Dickens. Vendo o filme e relendo o livro, notam-se semelhanças que apontam numa quase ilustração da palavra do escritor. Anteriormente outros realizadores já se tinham ocupado do tema, desde David Lean que dirigiu “As Aventuras de Oliver Twist” em 1948, uma excelente versão a preto e branco com Alec Guiness num Fagin inesquecível, até Carol Reed que, em 1968, levara a cinema a versão musicada de Lionel Bart, igualmente com bons resultados.
Curiosamente há nas versões que conhecemos de “Oliver” abordagens diversificadas, mas cenas que parecem transitar de filme para filme. A personagem do bedel do orfanato muda de nome, não muda de figura, a sequência em que Oliver pede “mais comida” e a subsequente ida à direcção do orfanato (que se banqueteia principescamente com lautos pratos de apetitosa comida) parecem quase filmadas do mesmo ângulo e interpretadas pelos mesmos actores… Mas aí é a força da escrita de Dickens que relembra quase um guião de cinema e impõe uma directriz sem recuo.
“As Aventuras de Oliver Twist”
Centremo-nos na versão de 1948, de David Lean, “As Aventuras de Oliver Twist” que se destaca desde logo pela fabulosa fotografia a preto e branco assinada por Guy Green. Desde a sequência inicial que essa fotografia nos agarra, desde essa paisagem batida pelo temporal, com uma mulher grávida a avançar em direcção a um albergue de mendicidade, onde acaba por dar á luz um menino, antes de morrer. Os cenários são rebuscados, os enquadramentos sugestivos, a iluminação contrastada, o efeito seguro. Dir-se-ia, ao vendo o desenrolar da obra, que o filme cruza habilmente uma certa tradição de realismo social inglês e alguns vestígios apurados do expressionismo alemão, tanto ao nível do cenários, como da iluminação, do jogo das sombras e das luzes, prolongando-se até pelo desenho das personagens. Nesse aspecto toda a mise-en-scéne (ou realização) é particularmente forte na forma como sugere sem apontar. Veja-se logo no início, como os poderosos se enquadram, em relação a Oliver: ocupando o espaço, engolindo a criança, estrangulando a frágil silhueta, aprisionando-a num rectângulo sem horizontes.
Quase no final, há uma sequência passada numa taberna que relembra o ambiente de “O Anjo Azul”, de Sternberg, e não raro nos vêm à memória imagens de “Matou”, de Triz Lang. Mas com a marca da criatividade de David Lean.
Todo o filme é, aliás, uma excelente sucessão de sugestões de imagem e som que tornam inúteis quaisquer explicações trazidas pelo diálogo. Um exemplo: as crianças no albergue têm fome, e têm medo de o dizer. Espreitam os poderosos a comer numa farta mesa, e quando chega a vez de solicitar mais comida tiram à sorte quem o fará. A palha mais curta que define a iniciativa cabe a Oliver. Logo todos os colegas se afastam criando uma clareira de solidão à sua volta. E quando Oliver se dirige ao bedel Bumble, que o espera batendo ameaçadoramente com a varinha na perna, qualquer espectador antecipa as consequências do acto. Todo este clima de medo e prepotência é muito bem dado numa Londres sinistramente esconsa e suja, numa arquitectura de castelo fantasma ou torre de horrores. Neste particular, na elaboração dos cenários, também esta versão de David Lean é brilhante, criando uma reconstituição de época que quase nos transmite não só a cor como o cheiro, os sons e o tacto. E quase nada é apetecível nesta sociedade egoísta e velhaca, mesquinha e gananciosa, hipócrita e prepotente, onde os mais fracos soçobram, quer sejam as crianças como as mulheres.
O filme não é rigorosamente fiel ao livro, mas julgo-o a mais fidedigna de todas as adaptações ao espírito do romance de Dickens, que tem merecido muitas e interessantes versões. Há personagens que desaparecem, Bet, por exemplo, a amiga de Nancy, e situações que surgem condensadas. O que é normal em casos como este. Mas para quem lê Dickens e vê o seu pequenino herói dividir com o cão do cangalheiro os restos e dormir debaixo do balcão de uma agência funerária, assolado pelos fantasmas de uma imaginação povoada por imagens tétricas, esta é definitivamente uma boa recriação do universo de um dos maiores escritores de língua inglesa.
David Lean trouxe para “Oliver Twist” quase toda a equipa que dois anos antes havia realizado “Great Expectations”, com enorme sucesso crítico e de público, incluindo os produtores Ronald Neame e Anthony Havelock-Allan, o já citado director de fotografia Guy Green, o designer John Bryan e o montador Jack Harris. Kay Walsh, que era então mulher de David Lean, e tinha colaborado na adaptação de “As Grandes Esperanças”, interpreta aqui o papel de Nancy.
Em finais de Março de 1836 sai o primeiro fascículo de “Pickwick” e dias depois casa com Catherine Hogarth, que lhe dará dez filhos, cujos nomes suscitam homenagens a referências literárias: Charles Culliford Boz Dickens (6 de Janeiro, 1837 - 1896), Mary Angela Dickens (6 de Março, 1838 - 1896), Kate Macready Dickens (29 de Outubro, 1839 - 1929), Walter Landor Dickens (8 de Fevereiro, 1841 - 1861), Francis Jeffrey Dickens (15 de Janeiro, 1844 - 1886), Alfred D'Orsay Tennyson Dickens (28 de Outubro, 1845 - 1912), Sydney Smith Haldimand Dickens (18 de Abril, 1847 - 1872), Henry Fielding Dickens (15 de Janeiro, 1849 - 1933), Dora Annie Dickens (16 de Agosto, 1850 - Abril, 1851) e Edward Bulwer Lytton Dickens (13 de Março, 1852 - 1902). Houve quem visse nesta ligação dos nomes dos filhos à história da literatura inglesa, uma forma de Dickens iniciar uma “dinastia literária”. Tal não aconteceu. Uns esbanjaram dinheiro, outros aproveitaram-se da celebridade do pai, mas apenas Monica Dickens, uma bisneta, ganharia algum renome com a escrita de romances.
“The Pickwick Papers” começa por não ser um sucesso público, vende uns discretos 400 exemplares no seu lançamento, mas a partir da altura em que aparece o criado de Pickwick, Sam Weller, personagem que relembra Sancho Pança numa versão “cockney”, é que o triunfo sucede e se atingem os 40 000 exemplares. Em 1836, é obra! Mas há explicações para este sucesso: o público anglófono (entre a Grã-Bretanha e os EUA) é o mais letrado do mundo. Londres tem mais de um milhão e meio de habitantes, a atracção pela capital vai desertificando os campos, a revolução industrial vai formando uma população heterogénea, o trabalho infantil prospera de forma inclemente, as injustiças socais aumentam, radicalizando os campos. É em 1845 que Engels publica “A Situação da Classe Operária em Inglaterra”, onde se analisa à luz do marxismo estas situações que Dickens não deixará de fazer reflectir na sua obra, ainda que não numa perspectiva puramente revolucionária, mas mais reformista e humanista. Isso leva-o a ter na mão não só as classes operárias, mas também a burguesia.
Dois anos depois do triunfo de Pickwick, Dickens lança-se na publicação, igualmente em folhetins semanais, de “Oliver Twist”, com ilustrações de Cruikshank. O livro penetra nas suas recordações de infância, no mundo da criança maltratada, no universo depressivo e opressor de uma sociedade de profundas injustiças sociais, no âmago da Inglaterra industrial e vitoriana de um capitalismo selvagem e desregrado.
Já célebre e com reputação mundial de escritor consagrado viaja com a mulher pelos EUA, onde é recebido entusiasticamente, servindo a viagem de base a “American Notes” e influenciando ainda alguns capítulos de “Martin Chuzzlewit”. Mas cedo voltou os americanos contra si, ao acusar os seus escritores e editores de plagiarem a literatura inglesa e não pagarem os direitos referentes às suas obras que circulam em edições piratas.
Em 1843, publica “A Christmas Carol”, a mais famosa obra dedicado ao Natal, que conta com milhares de edições em todas as línguas, e adaptações a todas as formas de narrativa, desde o cinema, a televisão, a banda desenhada, o teatro… Mas a esta história, outras se seguem, igualmente impregnadas de espírito natalício, como “The Chimes” (1844), escrita em Génova, ou “The Cricket on the Hearth” (1845). Em 1846 aparece como director de um jornal, o “Daily News”, mas a experiência dura pouco e, em 1848, sai “Dombey and Son”, abordando a revolução industrial na perspectiva dos operários dos transportes ferroviários. No ano seguinte publica outro dos seus romances mais populares, “David Copperfield”, em grande parte autobiográfico. Em 1854, será a vez "Tempos Difíceis", dedicado ao escritor e amigo Thomas Carlyle.
A revista semanal “Household Words”, onde viria a publicar, em folhetins, alguns dos seus romances, foi fundada também por ele, em 1850. A publicação seria reformulada em 1859, mudando de nome para “All the year round”. Extremamente popular na época, lido por milhares de leitores em todo o mundo, contando com um público fiel, Dickens tornou-se um homem de teres e haveres, o que lhe permitiu concretizar um sonho de criança e adquirir, em 1856, uma casa e propriedade de nome “Gad’s Hill Place”, perto de Chatham, onde passaria a viver até à sua morte. O local tinha também um significado especial porque algumas cenas do “Henrique V” de Shakespeare estavam indicadas como localizadas nessa mesma área.
Vida familiar conturbada
Mas a vida de Dickens ficou marcada por vários dramas e tragédias. A morte súbita da irmã da mulher, Georgina, com apenas 19 anos, foi uma delas, pois o escritor tinha por ela uma grande afeição. Em 1858, distanciado da mulher que amara, mas que entretanto o desiludira, divorcia-se, decisão obviamente não muito bem vista nessa época, sobretudo entre notáveis. Havia um evidente desajuste entre a vida de ambos. Por essa altura, morre igualmente uma filha recém nascida do casal. Catherine não conseguia partilhar a energia e a impetuosidade de Dickens. Houve rumores de um caso amoroso com a cunhada Georgina, mais tarde uma ligação fortuita com o seu amor de adolescência, Maria Beadnell, posteriormente o seu grande caso com a actriz Ellen Ternan.
A 9 de Junho de 1865, ao regressar de França, onde fora visitar a amante, Dickens sofreu um acidente ferroviário, em Staplehurst. As seis primeiras carruagens do comboio caíram de uma ponte em reparação, a única carruagem que não se desmoronou foi aquela onde viajava Dickens, Ellen Ternan e a mãe desta. As duas senhoras desapareceram rapidamente do local da tragédia, o escritor desmultiplicou-se no auxílio aos feridos e quase se ia esquecendo de um original entre os destroços. Mas lembrou-se a tempo de resgatar, de dentro da carruagem do comboio, o manuscrito inacabado do seu romance “Our Mutual Friend”. Abafada a ocorrência, Ellen iria tornar-se na companheira fiel que não o abandonou até ao final dos seus dias, apesar de nunca se terem casado oficialmente. Mas o incidente teve outras consequências no escritor. Apesar de ter saído aparentemente ileso do acidente, nunca mais recuperou totalmente do choque. O ritmo da sua produção literária decresceu bastante depois deste episódio. Irá terminar lentamente “Our Mutual Friend” e não irá completar “The Mystery of Edwin Drood”, onde alguns estudiosos dizem sentir a influência de Wilkie Collins, amigo de Dickens e um dos pioneiros do romance policial. Dedicou grande parte dos últimos anos da sua vida a esforçadas e emotivas leituras públicas, que o debilitaram também. Sozinho em palco, lia de forma arrebatada e comovente excertos de obras suas que entusiasmavam as plateias. Foram essas leituras que o levaram novamente à América em 1867, desta vez em triunfo constante.
Cinco anos depois do acidente de Staplehurst, exactamente no dia 9 de Junho de 1870, morreu e foi sepultado no “Poets' Corner”, na Abadia de Westminster. O túmulo encerra uma vida: “Apoiante dos pobres, dos que sofrem e dos oprimidos. Com a sua morte desaparece um dos maiores escritores que a Inglaterra deu ao mundo.” A sua glória não para de crescer. Em 1980, a histórica Eastgate House, em Rochester, no Kent, foi convertida num museu dedicado a Charles Dickens. Aí também, anualmente, realiza-se o Festival Dickens. A casa onde nasceu, em Portsmouth é igualmente um museu. Londres também tem a sua casa-museu Dickens (Doughty Street, 48).
Um escritor raro
Muitos dos romances de Dickens foram escritos para serem distribuídos, mensal ou semanalmente, em folhetins publicados em jornais como o “Household Words”, o que tornava as histórias mais acessíveis a um público mais vasto. Um dos inegáveis talentos do escritor era essa capacidade em conciliar uma narrativa em fascículos (dir-se-ia hoje) com a possibilidade futura de se apresentarem, tal como hoje os conhecemos, num volume único, um romance coerente na sua globalidade. Apesar de nunca deixar de ter em conta o seu público-alvo, e de alterar por vezes o traçado da narrativa, em virtude de criticas ou reacções de leitores aos seus folhetins (exemplos disso encontram-se em “Martin Chuzzlewit”, onde foram incluídas cenas passadas na América, para contrariar o decréscimo de vendas dos primeiros capítulos, ou em “Our Mutual Friend”, onde aparece uma personagem, Riah, um judeu simpático, para contrapor ao pérfido Fagin, de “Oliver Twist”, que levou Dickens a ser acusado de anti-semitismo), a sua escrita aspirou sempre a uma altíssima qualidade, interligando o melodrama social e a sátira, a critica às deprimentes condições de vida de algumas classes e estratos sociais, em contraste com a leviandade e a avareza da alta sociedade vitoriana, que retrata expondo cinismo, hipocrisia, egoísmo e prepotência. Sendo um realista, era um realista de influência gótica, um escritor que como poucos sabia dosear a tragédia e o humor, a invenção e a fantasia com o mais premente realismo, em muitos aspectos autobiográfico. Cenas de tribunal, políticos parlamentares, crianças exploradas, prisões por dívidas, raparigas que morrem jovens, toda uma galeria de situações e de figuras nasce da sua própria experiência pessoal.
Dickens soube retratar uma época de profundas transformações políticas, sociais, económicas e culturais. Filho do maior império do mundo, conseguiu escrever e testemunhar o que via e sentia de tal forma que ajudou a modificar a realidade social: algumas prisões fecharam ou foram remodeladas (Marshalsea e Fleet, por exemplo), estabelecimentos de ensino e orfanatos tal como existiam na época desapareceram, o saneamento básico de Londres foi reformulado, as condições de trabalho nas fábricas humanizadas…
“Oliver Twist” de David Lean a Roman Polanski
“Oliver Twist”, de Roman Poolanski, não é a melhor adaptação do romance, ainda que seja uma versão muito aproximada da concebida por Dickens. Vendo o filme e relendo o livro, notam-se semelhanças que apontam numa quase ilustração da palavra do escritor. Anteriormente outros realizadores já se tinham ocupado do tema, desde David Lean que dirigiu “As Aventuras de Oliver Twist” em 1948, uma excelente versão a preto e branco com Alec Guiness num Fagin inesquecível, até Carol Reed que, em 1968, levara a cinema a versão musicada de Lionel Bart, igualmente com bons resultados.
Curiosamente há nas versões que conhecemos de “Oliver” abordagens diversificadas, mas cenas que parecem transitar de filme para filme. A personagem do bedel do orfanato muda de nome, não muda de figura, a sequência em que Oliver pede “mais comida” e a subsequente ida à direcção do orfanato (que se banqueteia principescamente com lautos pratos de apetitosa comida) parecem quase filmadas do mesmo ângulo e interpretadas pelos mesmos actores… Mas aí é a força da escrita de Dickens que relembra quase um guião de cinema e impõe uma directriz sem recuo.
“As Aventuras de Oliver Twist”
Centremo-nos na versão de 1948, de David Lean, “As Aventuras de Oliver Twist” que se destaca desde logo pela fabulosa fotografia a preto e branco assinada por Guy Green. Desde a sequência inicial que essa fotografia nos agarra, desde essa paisagem batida pelo temporal, com uma mulher grávida a avançar em direcção a um albergue de mendicidade, onde acaba por dar á luz um menino, antes de morrer. Os cenários são rebuscados, os enquadramentos sugestivos, a iluminação contrastada, o efeito seguro. Dir-se-ia, ao vendo o desenrolar da obra, que o filme cruza habilmente uma certa tradição de realismo social inglês e alguns vestígios apurados do expressionismo alemão, tanto ao nível do cenários, como da iluminação, do jogo das sombras e das luzes, prolongando-se até pelo desenho das personagens. Nesse aspecto toda a mise-en-scéne (ou realização) é particularmente forte na forma como sugere sem apontar. Veja-se logo no início, como os poderosos se enquadram, em relação a Oliver: ocupando o espaço, engolindo a criança, estrangulando a frágil silhueta, aprisionando-a num rectângulo sem horizontes.
Quase no final, há uma sequência passada numa taberna que relembra o ambiente de “O Anjo Azul”, de Sternberg, e não raro nos vêm à memória imagens de “Matou”, de Triz Lang. Mas com a marca da criatividade de David Lean.
Todo o filme é, aliás, uma excelente sucessão de sugestões de imagem e som que tornam inúteis quaisquer explicações trazidas pelo diálogo. Um exemplo: as crianças no albergue têm fome, e têm medo de o dizer. Espreitam os poderosos a comer numa farta mesa, e quando chega a vez de solicitar mais comida tiram à sorte quem o fará. A palha mais curta que define a iniciativa cabe a Oliver. Logo todos os colegas se afastam criando uma clareira de solidão à sua volta. E quando Oliver se dirige ao bedel Bumble, que o espera batendo ameaçadoramente com a varinha na perna, qualquer espectador antecipa as consequências do acto. Todo este clima de medo e prepotência é muito bem dado numa Londres sinistramente esconsa e suja, numa arquitectura de castelo fantasma ou torre de horrores. Neste particular, na elaboração dos cenários, também esta versão de David Lean é brilhante, criando uma reconstituição de época que quase nos transmite não só a cor como o cheiro, os sons e o tacto. E quase nada é apetecível nesta sociedade egoísta e velhaca, mesquinha e gananciosa, hipócrita e prepotente, onde os mais fracos soçobram, quer sejam as crianças como as mulheres.
O filme não é rigorosamente fiel ao livro, mas julgo-o a mais fidedigna de todas as adaptações ao espírito do romance de Dickens, que tem merecido muitas e interessantes versões. Há personagens que desaparecem, Bet, por exemplo, a amiga de Nancy, e situações que surgem condensadas. O que é normal em casos como este. Mas para quem lê Dickens e vê o seu pequenino herói dividir com o cão do cangalheiro os restos e dormir debaixo do balcão de uma agência funerária, assolado pelos fantasmas de uma imaginação povoada por imagens tétricas, esta é definitivamente uma boa recriação do universo de um dos maiores escritores de língua inglesa.
David Lean trouxe para “Oliver Twist” quase toda a equipa que dois anos antes havia realizado “Great Expectations”, com enorme sucesso crítico e de público, incluindo os produtores Ronald Neame e Anthony Havelock-Allan, o já citado director de fotografia Guy Green, o designer John Bryan e o montador Jack Harris. Kay Walsh, que era então mulher de David Lean, e tinha colaborado na adaptação de “As Grandes Esperanças”, interpreta aqui o papel de Nancy.
“Oliver” de Roman Polanski
Umas pequenas notas ainda sobre a adaptação de Roman Polanski que, sendo uma obra muito apreciável de um ponto de vista cinematográfico, não é a obra-prima que se poderia esperar do autor desse vibrante e pungente “O Pianista” que evocava o gheto de Varsóvia com uma qualidade plástica e uma densidade humana invulgares. Neste mais recente “Oliver” que tem seguramente também muito de biográfico em relação ao próprio Polanski, há menos novidade e uma forma mais clássica, a rondar o académico, de contar uma história, de evocar atmosferas, de impor personagens. Numa ou outra ocasião, o génio do cineasta explode, como na sequência da descoberta do corpo assassinado de Nancy, na forma como se joga com a montagem e a banda sonora, na articulação dos planos, que terminam com uma paisagem agreste, com um ramo de árvore em primeiro plano e um agoirento corvo.
Polanski confessou, em entrevista, que gostaria de realizar um filme a que pudesse assistir com os filhos ainda jovens. Andava por essa altura, de colaboração com o argumentista Ron Harwood (uma dupla que vem de “O Pianista”), à procura de um bom tema e surgiu-lhe a história do órfão que Dickens imortalizou. Desde os seus primeiros dias no tenebroso orfanato, Oliver Twist parece destinado a ser triturado por uma (ou múltiplas) encarnação do Mal que o persegue: a sua venda a um fabricante de caixões, a fuga e a ida para Londres, onde é desviado para o covil de Fagin, o judeu (no filme nunca referido enquanto tal) rei dos ladrões que domina as ruelas da cidade através de uma legião de miúdos, a prisão por um roubo que não cometeu e o posterior resgate por parte de um bondoso Mr. Brownlow, com peso na consciência, o rapto e o regresso às ruas, onde Nancy e Bill Sykes ocupam destacado lugar, tudo isto são peripécias de um calvário que tem muito a ver com a personagem de Wladyslaw Szpilman, interpretada por Adrien Brody em “O Pianista”: em ambos os casos temos figuras que o acaso confronta com situações limite que os ultrapassam e a que quase não reagem
Não sendo o filme excepcional que se augurava do encontro de Dickens e Polanski, “Oliver Twist” é, ainda assim, um belíssimo retrato de uma Londres vitoriana e uma evocação suficientemente contrastada de uma sociedade saída de transformações importantes, que necessitava de ver corrigidos excessos e desumanos desvios.
“OLIVER TWIST” EM CINEMA
DEATH OF NANCY SYKES
Título original: Death of Nancy Sykes
(EUA, 1897); Argumento: Charles Dickens (romance)
Intérpretes: Mabel Fenton (Nancy Sykes), Charles Ross (Bill Sykes), etc.
MR. BUMBLE THE BEADLE
Título original: Mr. Bumble the Beadle
(Inglaterra, 1898); Argumento: Charles Dickens (romance)
A MODERN OLIVER TWIST
Título original: A Modern Oliver Twist
Realização: J. Stuart Blackton (EUA, 1906); Argumento: segundo romance de Charles Dickens;
Curta-metragem
OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist
Realização: J. Stuart Blackton (EUA, 1909); Argumento: Eugene Mullin, segundo romance de Charles Dickens;
Intérpretes: Edith Storey (Oliver), William Humphrey (Fagin), Elita Proctor Otis (Nancy Sykes), etc.
Curta-metragem.
L’ ENFANCE D' OLIVER TWIST
Título original: L’ Enfance d' Oliver Twist
Realização: Camille de Morlhon (França, 1910); Argumento: segundo romance de Charles Dickens;
Intérpretes: Jean Périer
Curta-metragem.
OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist
Produção: H.A. Spanuth (EUA, 1912) Argumento: segundo romance de Charles Dickens;
Intérpretes: Vinnie Burns (Oliver Twist), Lillian DeLesque (Rose), Nat C. Goodwin (Fagin), Stuart Holmes (Bumble), Jack Hopkins (Charles Leeford), Frank Kendrick (Mr. Grimwig), Hudson Liston (Mr. Brownlow), Millie Liston (Mrs. Maylie), etc.
OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist
Realização: Thomas Bentley (Inglaterra, 1912); Argumento: Thomas Bentley, segundo romance de Charles Dickens;
Intérpretes: Ivy Millais (Oliver Twist), John McMahon (Fagin), Harry Royston (Bill Sykes), Alma Taylor (Nancy), Flora Morris (Rose Maylie), Mr. Rivary (Mr. Brownlow), Willie West, etc.
OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist
Realização: James Young (EUA, 1916); Argumento: Winthrop Ames, James Young, segundo romance de Charles Dickens; Fotografia (p/b): Harold Rosson; Assistentes de realização: Dudley Blanchard, W.S. Van Dyke;
Intérpretes: Marie Doro (Oliver Twist), Edythe Chapman (Mrs. Brownlow), Tully Marshall (Fagin), Hobart Bosworth (Bill Sykes), James Neill (Mr. Brownlow), Elsie Jane Wilson (Nancy), Harry L. Rattenberry (Mr. Bumble), etc.
Duração: 50 minutos;
TWIST OLIVER
Título original: Twist Olivér
Realização: Márton Garas (Hungria, 1919); Argumento: segundo romance de Charles Dickens;
Intérpretes: Jenö Törzs
OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist
Realização: Lupu Pick (Alemanha, 1920); Argumento: segundo romance de Charles Dickens;
OLIVER TWIST, JR.
Título original: Oliver Twist, Jr.
Realização: Millard Webb (EUA, 1921); Argumento: F. McGrew Willis, segundo romance de Charles Dickens; Fotografia (p/b): William C. Foster; Apresentação: William Fox;
Intérpretes: Harold Goodwin (Oliver Twist Jr.), Lillian Hall (Ruth Norris), George Nichols (Schoolmaster), Harold Esboldt (Dick), Scott McKee (o trapaceiro ardiloso), Clarence Wilson (Fagin), G. Raymond Nye (Bill Sykes), Hayward Mack (Monks), etc.
TENSE MOMENTS WITH GREAT AUTHORS
Título original: Tense Moments with Great Authors
Episódio: Fagin
Realização: H.B. Parkinson (Inglaterra, 1922); Argumento: W. Courtney Rowden, segundo Charles Dickens (romance); Intérpretes: Ivan Berlyn (Fagin), etc.
Episódio: Nancy
Realização: H.B. Parkinson (Inglaterra, 1922); Argumento: W. Courtney Rowden, segundo Charles Dickens (romance); Intérpretes: Ivan Berlyn (Fagin), Sybil Thorndike (Nancy), etc.
OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist
Realização: Frank Lloyd (EUA, 1922); Argumento: Walter Anthony, Frank Lloyd, Harry Weil, segundo romance de Charles Dickens; Música: John Muri (versão restaurada em 1975); Fotografia (p/b): Glen MacWilliams, Robert Martin; Montagem: Irene Morra; Direcção artística: Stephen Goosson; Guarda-roupa: Walter J. Israel; Produção: Sol Lesser.
Intérpretes: Lon Chaney (Fagin), James A. Marcus (Mr. Bumble), Aggie Herring (Mrs. Corney), Jackie Coogan (Oliver Twist), Nelson McDowell (Sowerberry), Lewis Sargent (Noah Claypole), Joan Standing (Charlotte), etc.
Duração: 74 minutos; 98 minutos (versão de DVD)
OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist
Realização: William J. Cowen (EUA, 1933); Argumento: Elizabeth Meehan, segundo romance de Charles Dickens; Música: Mischa Bakaleinikoff; Direcção musical: Abe Meyer; Fotografia (p/b): J. Roy Hunt; Montagem: Carl Pierson; Direcção de Produção: Herbert Brenon; Som: John Stransky Jr.; Produção: I.E. Chadwick.
Intérpretes: Dickie Moore (Oliver Twist), Irving Pichel (Fagin), William 'Stage' Boyd (Bill Sikes), Doris Lloyd (Nancy Sikes), Alec B. Francis (Mr. Brownlow), Barbara Kent (Rose Maylie), etc.
Duração: 80 minutos;
AS AVENTURAS DE OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist
Realização: David Lean (Inglaterra, 1948); Argumento: Stanley Haynes, David Lean, segundo romance de Charles Dickens; Música: Arnold Bax, Guy Warrack (Canções); Pianista (tema Oliver): Harriet Cohen; Apresentador: J. Arthur Rank; Fotografia (p/b): Guy Green; Montagem: Jack Harris; Decoração: T. Hopewell Ash, Claude Momsay; Guarda-roupa: Margaret Furse; Maquilhagem: Stuart Freeborn, Biddy Chrystal; Direcção de Produção: Norman Spencer; Assistentes de realização: George Pollock; Departamento de arte: John Bryan; Som: Stanley Lambourne, Gordon K. McCallum, Winston Ryder; Efeitos especiais: Stanley Grant, Joan Suttie; Produção: Ronald Neame, Anthony Havelock-Allan.
Intérpretes: Robert Newton (Bill Sikes), Alec Guinness (Fagin), Kay Walsh (Nancy), Francis L. Sullivan (Mr. Bumble), John Howard Davies (Oliver Twist), Henry Stephenson (Mr. Brownlow), Mary Clare (Mrs. Corney), Anthony Newley (o trapaceiro ardiloso), Josephine Stuart (mãe de Oliver), Ralph Truman (Monks), Kathleen Harrison (Mrs. Sowerberry), Gibb McLaughlin (Mr. Sowerberry), Amy Veness (Mrs. Bedwin), Diana Dors (Charlotte), Frederick Lloyd, Ivor Barnard, Maurice Denham, W.G. Fay, Michael Dear, Henry Edwards, Hattie Jacques, Michael Ripper, Peter Bull, Deidre Doyle, Kenneth Downey, Edie Martin, Fay Middleton, Graveley Edwards, John Potter, Maurice Jones, Betty Paul, Erik Chitty, Arthur Mullard, Nosher Powell, Dennis Wyndham, etc.
Duração: 116 minutos; Distribuição em Portugal: Lusomundo Audiovisuais (DVD); Classificação etária: M/ 6 anos.
OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist (série de TV)
(Brasil, 1955) Argumento: Dionísio Azevedo, segundo romance de Charles Dickens;
Intérpretes: Percy Aires, Jaime Barcellos (Fagin), Verinha Darci, Heitor de Andrade (Mr.Bumble), Lima Duarte, Guiomar Gonçalves, Luiz Gustavo (Raposa), etc.
THE DUPONT SHOW OF THE MONTH
Título original: The DuPont Show of the Month (série de TV - 1957-1961)
Realização: Daniel Petrie (episódio "Oliver Twist") (EUA, 1957); Argumento: Michael Dyne (episódio "Oliver Twist"),
Título original: Oliver Twist / Episódio 3.4 - 4 Dezembro 1959
Intérpretes: Tom Clancy (Bill Sykes), Frederick Clark (o trapaceiro ardiloso), John Colicos (Monks), Beulah Garrick (Mrs. Sowerberry), William Hickey (Toby Crackit), Michael Hordern (Mr. Sowerberry), Lucy Landau (Mrs. Corney), Ronald Long (Mr. Grimwig), John McGiver (Bumble), Anne Meara, Robert Morley (Mr. Brownlow), Dick O'Neill, Eric Portman (Fagin), George Rose (Juiz Fang), Inga Swenson (Rose), Richard Thomas (Oliver Twist), George Turner (livreiro), James Valentine (Noah Claypole), Margaretta Warwick, Nancy Wickwire (Nancy Sykes), Kathy Willard (Bet)
Duração: 90 min cada episódio.
OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist (série de TV)
Argumento: segundo romance de Charles Dickens; (Brasil, 1960)
LE THEATRE DE LA JEUNESSE: OLIVER TWIST
Título original: Le Théâtre de la jeunesse: Oliver Twist (TV)
Realização: Jean-Paul Carrère (França, 1962); Argumento: Claude Santelli, Serge Zanetti, segundo romance de Charles Dickens;
Intérpretes: André Oumansky (Bill), Alice Reichen (Sally), René Clermont (médico), Philippe Ogouz (Renard), Gérard Riou (Olivier Twist), Jacques Seiler (director), Françoise Fleury (Mme Sowerberry), Albert Rémy (Sowerberry), etc.
OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist (mini-série para TV)
Produção: Eric Tayler (Inglaterra, 1962) Argumento: Constance Cox, segundo romance de Charles Dickens;
Intérpretes: Max Adrian (Fagin), George Curzon (Mr. Brownlow), Aimée Delamain (Sally), Donald Eccles (Mr. Sowerberry), Willoughby Goddard (Mr. Bumble), Melvyn Hayes (o trapaceiro ardiloso), Barbara Hicks (Mrs. Sowerberry), Carmel McSharry (Nancy), Bruce Prochnik (Oliver Twist), Peter Vaughan (Bill Sikes), etc.
Duração: 30 minutos (13 episódios)
OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist (TV)
Realização: Jean-Paul Carrère (França, 1962); Argumento: segundo romance de Charles Dickens;
Intérpretes: Marcel Dalio, etc.
OLIVER!
Título original: Oliver! ou Lionel Bart's Oliver!
Realização: Carol Reed (Inglaterra, 1968); Argumento: Vernon Harris, segundo musical de Lionel Bart, segundo romance de Charles Dickens; Música: Lionel Bart, Johnny Green; Fotografia (cor): Oswald Morris; Montagem: Ralph Kemplen; Casting: Jenia Reissar; Design de prdução: John Box; Direcção artística: Terence Marsh; Guarda-roupa: Phyllis Dalton; Maquilhagem: George Frost Bobbie Smith, Hugh Richards; Direcção de Produção: Denis Johnson Jr., Denis Johnson; Assistentes de realização: Colin M. Brewer,Ray Corbett; Departamento de arte: Vernon Dixon, Peter Dukelow, Percy Godbold, Ken Muggleston; Som: Buster Ambler, John Cox, Jim Groom, Bob Jones, Ken Runyon; Efeitos especiais: Alan Bryce; Produção: John Woolf.
Intérpretes: Ron Moody (Fagin), Shani Wallis (Nancy), Oliver Reed (Bill Sikes), Harry Secombe (Mr. Bumble), Mark Lester (Oliver Twist), Jack Wild (o trapaceiro ardiloso), Hugh Griffith (Juiz), Joseph O'Conor (Mr. Brownlow), Leonard Rossiter (Mr. Sowerberry), Hylda Baker (Mrs. Sowerberry), Kenneth Cranham (Noah Claypole), Megs Jenkins (Mrs. Bedwin), Sheila White (Bet), Peggy Mount (Mrs. Bumble), Wensley Pithey (Dr. Grimwig), James Hayter, Elizabeth Knight, Fred Emney, Edwin Finn, Roy Evans, Norman Mitchell, Robert Bartlett, Graham Buttrose, Jeffrey Chandler, Kirk Clugston, Dempsey Cook, Christopher Duff, Nigel Grice, Ronnie Johnson, Nigel Kingsley, Robert Langley, Brian Lloyd, Peter Lock, Clive Moss, Ian Ramsey, Peter Renn, Billy Smith, Kim Smith, Freddie Stead, Raymond Ward, John Watters, Anthony Kemp, John Baskcomb, Frank Crenshaw, Jack Haig, Peter Hoare, Arnold Locke, Jane Peach, Norman Pitt, Nosher Powell, Keith Roberts, Vernon White, etc.
Duração: 153 minutos; Classificação etária: M/ 6 anos.
OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist
Realização: Hal Sutherland (EUA, 1974); Argumento: Ben Starr, segundo romance de Charles Dickens; Produção: Norm Prescott, Lou Scheimer.
Intérpretes: Josh Albee, Cathleen Cordell, Lola Fisher, Robert Holt, Davy Jones, Larry D. Mann, Dal McKennon, Billy Simpson (Oliver Twist, voz), Larry Storch, etc.
Duração: 91 minutos;
THE FURTHER ADVENTURES OF OLIVER TWIST
Título original: The Further Adventures of Oliver Twist
Realização: Ian Fordyce, Paul Harrison (Inglaterra, 1980); Argumento: David Butler, segundo romance de Charles Dickens;
Intérpretes: Bryan Coleman (Mr. Brownlow), John Fowler (o trapaceiro ardiloso), Harold Innocent (Mr. Bumble), Daniel Murray (Oliver Twist), David Swift (Fagin), etc.
Duração: 30 minutos (13 episódios)
OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist (TV)
(1981) Argumento: segundo romance de Charles Dickens;
Intérpretes (vozes): Josh Albee (Oliver Twist), Les Tremayne (Fagin), etc.
Animação.
OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist (TV)
Realização: Clive Donner (Inglaterra, EUA, 1982); Argumento: James Goldman, segundo romance de Charles Dickens; Música: Nick Bicât; Fotografia (cor): Norman G. Langley; Montagem: Peter Tanner; Direcção artística: Tony Curtis; Maquilhagem: Del Acevedo, Pauline Heys; Assistentes de realização: Michael Murray; Departamento de arte: Paul Purdy; Som: Sandy MacRae; Produção: Ted Childs, Norton Romsey, William F. Storke.
Intérpretes: George C. Scott (Fagin), Tim Curry (Bill Sikes), Michael Hordern (Mr. Brownlow), Timothy West (Mr. Bumble), Eileen Atkins (Mrs. Mann), Cherie Lunghi (Nancy), Oliver Cotton (Monks), Richard Charles (Oliver Twist), etc.
Duração: 103 minutos;
OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist (mini-série para TV)
Realização: Gareth Davies (Inglaterra, 1985); Argumento: Alexander Baron, segundo romance de Charles Dickens;
Intérpretes: Ben Rodska (Oliver Twist), Scott Funnell (Oliver Twist, criança), Eric Porter (Fagin), Frank Middlemass (Mr. Brownlow), Lysette Anthony (Agnes Fleming/Rose Maylie), Amanda Harris (Nancy), Michael Attwell (Bill Sikes), Margaret Ainley, Nigel Anthony, Dicken Ashworth, etc.
Duração: 360 minutos (12 episódios)
THE ADVENTURES OF OLIVER TWIST
Título original: The Adventures of Oliver Twist
Realização: Fernandez Ruiz (EUA, 1991); Argumento: segundo romance de Charles Dickens; Música: Plácido Domingo Jr.; Fotografia (cor): Fernando Franco, Víctor Peña; Produção: Miguel Ángel Casillas, Elias Fernández.
LES NOUVELLES AVENTURES D' OLIVER TWIST
Título original: Les Nouvelles Aventures d'Oliver Twist (série de TV - 1997-1998)
(França, EUA, 1997) segundo romance de Charles Dickens;
Duração: 26 minutos (52 episódios); Animação.
OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist (TV)
Realização: Tony Bill (EUA, 1997); Argumento: Monte Merrick, segundo romance de Charles Dickens; Música: Van Dyke Parks; Fotografia (cor): Bing Sokolsky; Montagem: Axel Hubert; Casting: John Hubbard, Ros Hubbard; Design de prdução: Keith Wilson; Direcção artística: James Hambidge; Decoração: Jim Harkin; Guarda-roupa: Joanna Eatwell, Betsy Heimann; aquilhagem: Bernadette Dooley, Ken Jennings, Nina Kraft, Matthew W. Mungle, Stephen Rose; Direcção de Produção: Paul Munn; Assistentes de realização: Seamus Collins, Bill Kirk; Departamento de arte: Irene O'Brien, Steve Wheeler; Som: Jed M. Dodge, Alan O'Duffy, Phillip Seretti, Janja Vujovich; Produção: John Baldecchi, Richard Dreyfuss, Laurence Mark, Steven North, Morgan O'Sullivan, Stephen Sommers.
Intérpretes: Richard Dreyfuss (Fagin), Elijah Wood (o trapaceiro ardiloso), David O'Hara (Bill Sikes), Alex Trench (Oliver Twist), Antoine Byrne (Nancy), Olivia Caffrey (Rose Maylie), Anthony Finigan (Mr. Brownlow), Maria Charles (Viúva Corney), Des Braiden (Juiz), Eileen Colgan (Mrs. Bedwin), etc.
Duração: 91 minutos;
OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist (mini-série para TV)
Realização: Renny Rye (Inglaterra, 1999); Argumento: Alan Bleasdale, segundo romance de Charles Dickens; Música: Elvis Costello, Paul Pritchard; Fotografia (cor): Walter McGill; Montagem: Wendy Edgar-Jones, David Rees; Casting: Abi Harris, Ros Hubbard, Martina Kubesova; Design de produção: Malcolm Thornton; Direcção artística: Stevie Herbert, Martin Maly; Guarda-roupa: Rosalind Ebbutt; Maquilhagem: Lesley Lamont-Fisher, Ivana Langhammerová, Chris Redman; Direcção de produção: Mally Chung, Martin Joy, Pavel Nový, Zbynek Pippal, Alasdair Whitelaw; Assistentes de realização: Peter Freeman, Lenka Pavlakova, Fletcher Rodley, Jeff Taylor, Tomas Zelenka; Departamento de arte: Jaroslav Cesal, David Creed, Radan Kapinos, Jirí Matolín, Gary Watson; Som: Gareth Bull, John Downer, Paul McFadden, Kate Morath, Ian Tapp, Oliver Tarney, Martin Trevis; Efeitos Especiais: Colin Gorry, Dennis Lowe; Produção: Alison Barnett, Alan Bleasdale, Michele Buck, Rebecca Eaton, Keith Thompson.
Intérpretes: Sam Smith (Oliver Twist), David Ross (Mr Bumble), Julie Walters (Mrs. Mann), Roger Lloyd-Pack (Mr Sowerberry), Ger Ryan (Mrs Sowerberry), Michael Kitchen (Mr Brownlow), Annette Crosbie (Mrs Bedwin), Keira Knightley (Rose Fleming), Tim Dutton (Edwin Leeford), Lindsay Duncan (Elizabeth Leeford), Marc Warren (Monks), Robert Lindsay (Fagin), etc.
Duração: 386 minutos (4 episódios)
BOY CALLED TWIST
Título original: Boy Called Twist
Realização: Tim Greene (África do Sul, 2004); Argumento: Tim Greene, segundo romance de Charles Dickens; Música: Murray Anderson; Fotografia (cor): Mike Downie; Montagem: Ronelle Loots; Casting: Mito Skellern; Som: Jim Petrak, Jeremy Saacks; Produção: Aurelia Driver, Steven Markovitz, Gérard Rudolf, Clare van Zyl; Intérpretes: Peter Butler (Monks), Bill Curry (Bassedien), Goliath Davids (Bedel), Kim Engelbrecht (Nancy), Lesley Fong (Fagin), Bart Fouche (Bill Sykes), Jarrid Geduld (Twist), etc.
Duração: 115 minutos;
OLIVER TWIST
Título original: Oliver Twist
Realização: Roman Polanski (Inglaterra, Republica Checa, França, Itália, 2005); Argumento: Ronald Harwood, segundo romance de Charles Dickens; Música: Rachel Portman; Fotografia (cor): Pawel Edelman; Montagem: Hervé de Luze; Casting: Celestia Fox; Design de prdução: Allan Starski; Direcção artística: Jindrich Kocí; Decoração: Jille Azis; Guarda-roupa: Anna B. Sheppard; Maquilhagem: Michele Baylis, Linda Eisenhamerova, Jean-Max Guérin, Didier Lavergne, Ivo Strangmüller; Direcção de Produção: Daniel Champagnon, Veronika Finkova, Jiri Husak, Ondrej Nerud; Assistentes de realização: Martina Götthansova, Vaclav Hanka, Vojta Hlavicka, Karolina Koutna, Olda Mach, Petr Nemecek, Ralph Remstedt, Caroline Veyssière; Departamento de arte: Alice Bartosova, Jana Bulakova, Barry Gibbs, Jan Kotik, Keith Pain, Katerina van Gemundova; Som: Philippe Amouroux, Nicolas Becker, Jean-Marie Blondel, Paul Conway, Jean Goudier; Efeitos especiais: Milos Brosinger, Petr Lukavec, Martin Oberlander, Jirí Vater; Efeitos visuais: David Bush, Manfred Büttner, Nora Elsner, Florian Gellinger, Clare Heneghan, Sandra Moll; Produção: Robert Benmussa, Timothy Burrill, Petr Moravec, Roman Polanski, Alain Sarde, Michael Schwarz; Intérpretes: Ben Kingsley (Fagin), Barney Clark (Oliver Twist), Leanne Rowe (Nancy), Mark Strong (Toby Crackit), Jamie Foreman (Bill Sykes), Harry Eden (o trapaceiro ardiloso), Edward Hardwicke (Mr. Brownlow), Ian McNeice (Mr. Limbkins), Jeremy Swift (Mr. Bumble), Frances Cuka (Mrs. Bedwin), Michael Heath (Mr. Sowerberry), Gillian Hanna (Mrs. Sowerberry), Alun Armstrong (Juiz Fang), Andy de la Tour, Peter Copley, Joseph Tremain, Andreas Papadopoulos, Laurie Athey, Filip Hess, Lewis Chase, Jake Curran, Chris Overton, Richard Durden, Timothy Bateson, Andy Linden, John Nettleton, Teresa Churcher, Gerard Horan, Morgane Polanski, Liz Smith, Levi Hayes, Ophelia Lovibond, Elvis Polanski, Patrick Godfrey, Anezka Novak, Andy Camm, Frank Mills, Turbo, David Meeking, Paul Brooke, Andrea Miltner, Kaeren Revell, Kay Raven, Lizzy Le Quesne, Robert Orr, Paul Eden, Nick Stringer, James Babson, Richard Ridings, etc. Duração: 130 minutos; Distribuição em Portugal: Lusomundo Audiovisuais; Classificação etária: M/ 12 anos.
CHARLES DICKENS:
Bibliografia:
Principais romances:
The Pickwick Papers (1836)
Oliver Twist (1837–1839)
Nicholas Nickleby (1838–1839)
The Old Curiosity Shop (1840–1841)
Barnaby Rudge (1841)
Romances de Natal:
A Christmas Carol (1843)
The Chimes (1844)
The Cricket on the Hearth (1845)
The Battle for Life (1846)
Martin Chuzzlewit (1843-1844)
Dombey and Son (1846–184*8)
David Copperfield (1849–1850)
Bleak House
Hard Times (1854)
Little Dorrit (1855–1857)
A Tale of Two Cities (1859)
Great Expectations (1860–1861)
Our Mutual Friend (1864–1865)
The Mystery of Edwin Drood (inacabado) (1870)
Outros romances:
Sketches by Boz (1836)
American Notes (1842)
A Child’s History of England (1851–1853)
Contos:
”A Christmas Tree”; "A Message from the Sea"; "Doctor Marigold"; "George Silverman’s Explanation"; "Going into Society"; "Holiday Romance"; "Hunted Down"; "Mrs. Lirriper’s Legacy"; "Mrs. Lirriper’s Lodgings"; "Mugby Junction"; "Perils of Certain English Prisoners"; "Somebody’s Luggage"; "Sunday Under Three Heads"; "The Child’s Story"; "The Haunted House"; "The Haunted Man and the Ghost’s Bargain"; "The Holly-Tree"; "The Lamplighter"; "The Seven Poor Travellers"; "The Trial for Murder"; "Tom Tiddler’s Ground"; "What Christmas Is As We Grow Older"; "Wreck of the Golden Mary".

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